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O Grande Reset e o COVID-19: acaso ou pré-planejado?

2020.10.26 20:58 gr33nz44k O Grande Reset e o COVID-19: acaso ou pré-planejado?

O Grande Reset e o COVID-19: acaso ou pré-planejado?
Se você tem acesso á internet, tem mais que 4 neurônios se comunicando apropriadamente e não recebe toda sua informação de uma única bolha ou ''panelinha'' midiática, já deve ter percebido que o mundo passa pelo que estão chamando de ''O Grande Reset''.
Futura capa da Time Magazine.
O Great Reset resumidamente se trata de alterar definitivamente a percepção humana sobre a realidade e lentamente implantar um novo padrão comportamental na sociedade em geral. Lembra como a mídia sempre insistiu no termo ''novo normal''?
Para aqueles que tem o mínimo de brio pela descoberta da verdade e vontade de tentar enxergar o outro lado da moeda sabe ou pelo menos desconfia que estamos apontados para uma certa direção:
- Mais autoritarismo travestido de democracia.
- Mais controle social-financeiro-comportamental, em diversos aspectos e sob diversos mecanismos
- Lenta transição para uma espécie oficial de governo único central global.
- Mais intolerância com quem pensa fora da bolha ou pensa diferente de você e maior marginalização (aka cancelamento) com quem pensa diferente da manada.
- Mais divisão social por meio de narrativas fabricadas e inorgânicas. (Dividir e Conquistar que chama, né?...)
- Censura e mais censura nas plataformas.
E tudo isso disfarçado de uma linda e bela fantasia de luta pelo bem estar social e democrático.

Eu insisto e bato nessa tecla diariamente: seja você de esquerda ou de direita (pare de jogar esse jogo por favor), branco ou preto, gay ou hetero, homem ou mulher, corinthiano ou palmeirense.... todos estamos no mesmo barco quando se trata do esforço real que a elite socio-economica (você ja ta sabendo que é o dinheiro que manda no mundo né?) faz para manter as massas (nós) brigando entre si e num constante estado de distração e involução espiritual/mental.

Nós ja vivemos numa corporatocracia\* travestida de democracia, e agora diante dos nossos narizes um desdobramento criminoso e autoritário da corporatocracia está lentamente se impondo (há anos) e logo seremos totalmente escravos da inteligencia artificial e do poder que ela terá de nos manter submissos as autoridades.
Simplificando:
Hoje, nós somos o produto, porém ainda temos certo nível de autonomia individual.
Amanhã, continuaremos sendo o produto, porém com uma vida muito mais controlada e a mercê de autoridades e de checadores da verdade ligados a essas autoridades, com consequencias caso não compactuemos com a ''bolha''. Nossa vida 100% rastreada.
Demonstração de como é o sistema de ''Score'' que ja está sendo usado em um ou alguns lugares na China. https://youtu.be/0cGB8dCDf3c
(*Corporocracia ou corporatocracia, ou ainda "governo das grandes empresas", é a denominação de um governo presumível em que o poder seria transferido do Estado (ou seja, de exercido em nome do povo) para o controle por empresas privadas.)

Time Magazine: The Great Reset https://time.com/collection/great-reset/
WORLD ECONOMIC FORUM: The Great Reset https://www.weforum.org/great-reset/
Projeto ID2020: https://id2020.org/
EVENTO 201, realizado em outubro de 2019 em Nova York, simulando um cenário de pandemia global e como os lideres globais deveriam se portar durante o processo: https://www.centerforhealthsecurity.org/event201/about
https://www.centerforhealthsecurity.org/event201/videos.html


Você acha que a elite global estava de braços cruzados ESPERANDO UMA OPORTUNIDADE ou voce acredita que eles mesmos tenham criado a oportunidade e pré-planejado a pandemia de 2020, que é o álibi perfeito para a implantação do Great Reset?
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2020.07.20 01:50 aesthetic_Worm Entrada nos EUA durante a pandemia: é possível?

Minha noiva mora em New York City e eu em São Paulo. Já faz um tempo que não nos encontramos por causa da pandemia mas, como as coisas estão muito melhores por lá (falo da cidade e não da situação geral do país) pensamos em tentar alguma aproximação - no caso, eu indo pra lá.
Como existe a regra dos 14 dias, pensamos em acessar algum país de fronteira aberta com os EUA e passar este período por lá. O México parece ser a única opção. No entanto, conversando com uma amiga que trabalha na United, ela diz que brasileiros não estão entrando de qualquer maneira - já o serviço de atendimento da United lá de Nova York disse que não haveria problema caso eu partisse do México após 14 dias da saída do Brasil. Eu tenho tanto o Visa B1/B2 como o ESTA, que é a permissão para cidadãos europeus.
Alguém passou por algo semelhante? Conhece os meandros dessas regras de imigração e entrada nos países? Esse plano seria possível? Ou estamos mesmos condenados a esperar o fim do mundo?
-------------------------- Resumindo:
Brasil -> México 14 dias de isolamento México -> EUA Visto BR ou Europeu
Rola? Obrigado!
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2020.07.18 13:16 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.07.18 13:14 ThorDansLaCroix Liberdade de expressão, opinião pública e conservadorismo.

Muitos movimentos políticos estão surgindo e ganhando atenção, reclamando do que chamam de corrupção dos valores ocidentais, como o cristianismo, o patriarcado, os valores da família, bem como a corrupção do pensamento clássico e moderno, como tambem as tradições artísticas. Eles pedem o direito de liberdade de expressão por sentirem que suas vozes e opiniões são reprimidas pelas políticas dominantes, instituições acadêmicas e mídia, que acusam de serem dominadas pela esquerda, o que interpretam como a imposição dos valores socialistas na sociedade, que costumam chamar de "marxismo pós-modernista". Para eles, tudo faz parte da nova estratégia da esquerda para conquistar a sociedade ocidental, em destruindo-a.
Eles declaram ser racionalistas por usar fatos, lógica e ciência contra as paixões e desejos irracionais de esquerda, e contra a alienação da esquerda ao eles acreditam ser contra a liberdade. Eles são o Think Tank, realizando pesquisas e advocacia em tópicos como política social, estratégia política, economia, forças armadas, tecnologia e cultura com forte orientação ideológica. A maioria dos think tanks são organizações não-governamentais, mas algumas são agências semi-autônomas no governo ou estão associadas a partidos políticos específicos, especialmente milionários e bilionários ou empresas.
Por terem uma forte oposição às principais instituições e partidos e instituições politicas, instituições acadêmicas e políticas sociais, eles atraem muitas pessoas que desejam fortemente lutar contra o status quo, por se sentirem psicologicamente e às vezes socialmente excluídas.
Embora afirmem defender o empirismo e o conhecimento científico, eles se contradizem sendo racionalistas na prática. Eles alegam buscar e apoiar o conhecimento quando, na verdade, são conservadores que defendem a certeza absolutista. A campanha mais forte é pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, quando na verdade eles são extremamente radicais ao eliminar as opiniões de seus oponentes.
Quando as pessoas têm a liberdade de opinião, e liberdade para expressá-la, elas inevitavelmente formam opiniões diferentes e divergentes. Somente quando as pessoas têm uma paixão comum, suas opiniões, se poderíamos chamar de opinião, serão as mesmas [1]. A verdade é que não é possível formar opinião quando todas as opiniões se tornam iguais; A chamada opinião pública. Ninguém é capaz de formar sua própria opinião sem o benefício da multidão de opiniões de outras pessoas. A opinião pública põe em risco a opinião individual. Por outro lado, a multidão de opiniões é a única coisa que quebra tiranos e tiranias. É por isso que os fundadores dos Estados Unidos equiparam a opinião pública à tirania. A democracia era para eles uma nova forma de nepotismo, então eles estabeleceram uma república no lugar. Foi contra a democracia que os senadores foram originalmente estabelecidos nas repúblicas clássicas, cujo objetivo era proteger a sociedade contra a confusão da multidão. Enquanto o interesse público, na política, pertence ao interesse de um grupo, as opiniões, pelo contrário, nunca pertencem a um grupo mas exclusivamente a indivíduos. Multidão nunca será capaz de formar uma opinião [2].
As opiniões aumentam sempre que as pessoas se comunicam transquilamente e livremente umas com as outras com a segurança de tornar públicas suas opiniões. Mas “a razão do homem, como o próprio homem, é tímida e cautelosa quando deixada sozinha, e adquire firmeza e confiança quando proporcional ao número ao qual está associada” [3]. Como as opiniões são formadas e testemunham durante a troca contra a opinião de outras pessoas, suas diferenças podem ser mediadas apenas através de um corpo de homens escolhidos para esse fim; Eles são originalmente os senadores, o meio pelo qual toda a opinião pública deve passar. Sem essa mediação, para transmiti-los, eles se cristalizaram em uma variedade de sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, esperando por um "homem forte" para moldá-los em uma "opinião pública" unânime, matando entao todas as opiniões. Ao contrário da razão e das opiniões humanas, o poder humano não é apenas cauteloso e tímido quando deixado sozinho, mas completamente inexistente; Nenhum rei e tiranos têm poder sem que as pessoas os obedeçam. Todo apoio na política é obediência a uma opinião pública; assim como também revoluções.
Os demagogos estão sempre falando sobre liberdade individual, opinião livre e liberdade de expressão contra o que eles acusam de ser a tirania que bloqueia a liberdade individual, mas sua luta exige poder humano, o apoio de uma multidão que carrega uma opinião pública e nunca opiniões individuais. Embora afirmem lutar pela liberdade, é mais provável que estejam lutando pela tirania de um homem ou instituições fortes, o que garantirá a permanência absoluta e imponente de seus valores, contra a ameaça de opiniões livres. Eles alegam apoiar debates e opiniões livres quando lutam contra isso com a dialética erística, como uma tentativa de confundir e cansar mentalmente seus oponentes e encerrar qualquer debate e diálogo reais e, assim, matando a arena política.
Seu forte conservadorismo absolutista reflete uma busca ansiosa interna de estabelecimento de um porto seguro, que eles sentem falta em si. O que eles afirmam lutar - o socialismo, o marxismo pós-modernista, a ideologia da igualdade, etc - parece ser uma projeção de sua agonia interna contra as mudanças na sociedade, por se sentirem à parte, não pertencerem, deixados para trás, à procura de algo que represente permanência e eternidade, que eles racionalizam como sendo as tradições sociais clássicas e modernistas do patriarcado, estado mínimo, negócios capitalistas com sua cultura de chefes e empregados e a chamada democracia.
É interessante notar que grande parte de seus membros são pessoas que se sentem emocionalmente isoladas, especialmente homens, culpando mulheres e movimentos de mulheres por serem contra eles, associando mulheres ao caos social contra a tradição patriarcal [4]. Pensadores conservadores do Think Tank racionalizam e interpreta mal as obras clássicas da era matriarcal da Grécia e a Bíblia, que, ao contrário de suas interpretações racionalistas, denuncia a tentativa dos homens de controlar a natureza como fonte do caos. As mudanças são um fenômeno natural para a simbiose da natureza e da vida, e a tentativa de impedir mudancas por algo permanente é o que cria o caos. É por isso que Thomas Jefferson era contra uma constituição absolutista, permanente e uma república eterna. Ele achava que as revoluções eram necessárias e importantes para a liberdade. A constituição permanente e imutável era, para ele, um poder tirânico que proíbe a geração futura de ter liberdade de opinião e recriar uma fundação de acordo com as mudanças que elas experimentam na sociedade, assim como foi para a geração dos fundadores Americanos [5].
O estabelecimento absolutista e eterno de uma ordem social, contra o que os atuais conservadores condenam em criar o caos na sociedade, reflete um vazio emocional que eles desejam preencher. Muitos desses homens reclamam que não cresceram com uma figura paterna, acreditando ser a causa de sua insegurança emocional em relação à vida, racionalizando o problema como a falta de uma ordem social patriarcal que separa as famílias, segundo eles. Parece que eles nunca aprenderam que a maioria das crianças, desde a modernidade, cresceu sem uma figura paterna, mesmo, e principalmente, durante os tempos mais conservadores da tradição patriarcal e familiar, porque o pai teve que passar o dia todo fora de casa para trabalhar e sustentar à família sozinho, que eram mais do que apenas oito horas de trabalho por dia e que normalmente incluíam os fins de semana. O que deu às crianças confiança emocional foi a presença e o amor constantes da mãe em casa. Essa expressão constante de amor durante os afazeres cotidianos e o cuidado, o cuidado de suas crias e o relacionamento íntimo - o que não importa se vier da mãe, do pai ou dos pais adotivos - criam na criança um porto emocional seguro de auto confiança, o amor incondicional que receberam e perceberam, o que levarão pelo resto de suas vidas [6]. Sem ter um porto seguro em si mesmo, ao qual a pessoa sempre possa retornar quando se sentir incerta sobre si mesma, o indivíduo se torna inseguro por não acreditar em o amor incondicional por si mesma seja possível. Eles se sentirão emocionalmente indigentes, tentando encontrar um porto seguro nos outros, através de seu relacionamento romântico, fraterno e até político, como no líder que promete a ordem social absolutista, de uma família tradicional e de tradições patriarcais, com a esperança de que isso garanta a eles uma oportunidade melhor de encontrar um porto onde possam atracar e se sentir seguros da incerteza do mar da realidade que está em constante movimento.
As relações são utilitárias, mas as relações saudáveis ​​são as relações em simbiose, onde o indivíduo trabalha e age na vida por confiar que, onde quer que eles naveguem, eles terão um porto seguro em si mesmos; Porque toda tomada de decisão e ação é uma tomada de risco na imprevisibilidade da vida. Essa confiança e dedicação em suas atitudes e trabalho na vida geram experiências e habilidades que firmam uma confiança mais forte em seu poder de atuação individual, que se reflete em seu trabalho e atitude ao longo da vida como provedor de confiabilidade, moldando sua personalidade e identidade como um porto atraente para os outros. Sem essa confiança no “eu”, o que resta é ansiedade e frustração, por se sentir incapaz de desenvolver um porto atraente por meio de suas ações individuais, que forma sua auto narrativa que é formadora da identidade. A fim de proteger o “eu” do ódio a si próprio, o indivíduo tenderá a projetá tal odio para o mundo externo, em algo que escolhera como simbolismo do mau, de seu caos interno, para ser combatido e destruído como simbolismo da destruição de seus conflitos internos. Muitas pessoas, por outro lado, buscam ajuda profissional, mas não buscam realmente entender e conhecer a si mesmas. Elas buscam certezas para se protegerem de suas inseguranças. O que eles querem é se encaixar na sociedade, e a ajuda mais popular que eles encontrarão é focada nisso, não em realmente melhorar a si mesmas através da compreensão, mas sim de fingir e reprimir seus sentimentos. Muitos dos livros e gurus de auto-ajuda são altamente ideológicos, apresentando às pessoas mitologia sobre patriarcado, “marxismo pós-modernista” e todo tipo de desculpas políticas para incitar a projeção de ódio e, portanto, a opinião pública em apoio à sua agenda ideológica e lider.
É por isso que a família é importante, a comunidade é importante, as instituições são importantes, todas elas são um porto seguro para nós, mas isso não significa necessariamente que elas nunca devem mudar. Eles precisam mudar para acompanhar a simbiose da realidade que está em constante movimento. Estamos sempre à procura de um porto seguro. Quando não pudermos encontrar em nós mesmos, em nosso próprio mundo, tentaremos encontrar no mundo externo e, assim, tentar forçar algo que represente artificialmente tal porto, acreditando que, ao introduzir um suposto absolutismo e permanência superaremos a insegurança em nós, a incerteza nos riscos de agir na vida, por acreditar ter superado a imprevisibilidade de nossas decisões após a flecha de nossas ações são lançadas. Mas essa permanência absolutista só pode ser estabelecida com o apoio tirânico de uma opinião pública, moldada pelo poder de um homem forte; Um herói ou a figura paterna, que cristaliza os sentimentos de massa conflitantes sob a pressão dos anseios, e sobre os quais as narrativas clássicas dos heróis gregos nos alertam contra [7].
Sem perceber, esses conservadores são, antes de mais nada, fortemente romancistas.

Fonte: http://www.marciofaustino.com/blog---portugues/liberdade-de-expressao-opiniao-publica-e-conservadorismo
​[1] J. E. Cooker. The Federalist (1787). New York: Wesleyan University Press (1983)
[2] ARENDT, H. On Revolution. London: Faber & Faber, 2016.
[4] PETERSON. J. Maps of Meaning: The Architecture of Belief. Routledge: first edition (1999)
[5] T. JEFFERSON; S. K.l. PADOVER. The Completly Jefferson, New York: Distributed by Duell, Sloan & Pearce, Inc. (1943)
[6] WINNICOTT, D.W. The Child, The Family, and The Outside World. Cambridge: Perseus Publishing, 1964
[7] RANK, O. Psychology and The Soul. Mansfield Center, CT : Martino Publishing, 2011.
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2020.05.18 17:07 pedceron Parecer Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia recomenda fortemente a não-utilização da cloroquina/hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 com as evidências atuais



Na íntegra:
Parecer Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) sobre a utilização da Cloroquina/Hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19
A COVID-19 é uma infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2 que pertence ao subgrupo B do gênero Betacoronavirus da família Coronaviridae. A infecção humana provavelmente foi causada pela transmissão de um vírus circulante em espécies animais, possivelmente morcegos ou pangolins. Entretanto, até o momento ainda não está completamente demonstrado a via de contaminação humana, e a comunidade científica está ativamente estudando como esta zoonose acometeu a espécie humana. O primeiro caso humano relatado ocorreu na província de Wuhan na China em 30 de dezembro de 2019. Devido ao alto grau de transmissão, principalmente por contato entre pessoas, este vírus rapidamente disseminou em todo o mundo, sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) determinou emergência mundial de saúde em 30 de janeiro de 2020.
A COVID-19 teve seu primeiro caso no Brasil confirmado em 25 de fevereiro de 2020 e desde então o número de casos vem crescendo, sendo motivo de preocupação para as autoridades de saúde pública. A atualização diária do Ministério da Saúde mostra nesse momento, 18 de maio de 2020, que o Brasil está com mais de 240 mil casos comprovados de pessoas infectadas e de 16 mil óbitos registrados, apresentado mais de 10 mil casos diários de novos casos com uma taxa de cerca de 800 óbitos por dia. Estes dados demonstram que o Brasil continua com uma curva crescente de infecção da sua população, caracterizando esta como uma emergência sanitária ainda não controlada. Neste momento, o Brasil é o quarto país em número de casos de COVID-19, e estudos em andamento sugerem que esse número está subestimado.
Os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, tosse e dificuldade respiratória, podendo evoluir para quadros de pneumonia. A evolução da COVID-19 tem um amplo espectro de apresentação clínica desde a infecção assintomática a sinais de uma gripe comum. Uma fração dos pacientes pode evoluir para quadros mais graves, que requerem internação e suporte intensivo, incluindo ventilação mecânica, com uma taxa de letalidade estimada que varia entre 0,7 a 14% dos casos relatados. Deve ser ressaltado que no momento não existe conduta definida de tratamento para os casos mais graves, embora seja consenso que a primeira fase da doença cursa com o início de intensa replicação viral, enquanto os pacientes com evolução para uma segunda fase que envolve uma resposta imune inflamatória desregulada, são os que apresentam quadros pulmonares e respiratórios mais graves, frequentemente associados a fenômenos trombóticos. A doença pode, em alguns indivíduos, evoluir para um comprometimento vascular sistêmico e chegar à falência múltipla de órgãos, apresentando risco elevado de óbito.
Apesar de ser uma doença que foi descrita recentemente, a COVID-19 recebeu atenção especial da comunidade científica mundial que se mobilizou em intensa atividade de pesquisa responsável, em um curto período de tempo, por descobertas sobre o seu agente causador e o ciclo biológico do vírus, as vias de transmissão, os principais mecanismos fisiopatológicos e métodos diagnósticos. Além disso, a avaliação de possíveis novas terapias, assim como o reposicionamento de fármacos, têm sido alvo de intensa investigação científica, sendo uma das principais prioridades da comunidade científica mundial. Entretanto, deve ser ressaltado que até o momento não foi descrita nenhuma terapia efetiva para o tratamento da COVID-19 que tenha bases sólidas com resultados cientificamente comprovados.
Muitas possibilidades de estratégias profiláticas e terapêuticas têm sido investigadas, como a utilização de fármacos antivirais, fármacos que atuam no bloqueio da entrada do vírus na célula alvo, imunoterapias que utilizam anticorpos monoclonais neutralizantes e transferência de plasma hiperimunes de pacientes convalescentes, desenvolvimento de vacinas, dentre outras.
Uma das estratégias terapêuticas que tem sido testada para a COVID-19 está baseada na utilização da cloroquina ou de seu análogo farmacológico hidroxicloroquina. Esses dois fármacos fazem parte de uma classe de medicamentos denominada aminoquinolinas. Esses fármacos têm indicação terapêuticas em algumas doenças, principalmente em malária e doenças reumáticas, como lupus eritomatoso sistêmico e artrite reumatoide. Ambos os fármacos têm descrição de efeitos adversos como retinopatias, hipoglicemia grave, prolongamento QT (que se relaciona com alteração da frequência cardíaca) e toxidade cardíaca, sendo exigido contínuo monitoramento médico dos indivíduos em uso da cloroquina ou hidroxicloroquina.
A escolha desta terapia, ou mesmo a conotação que a COVID-19 é uma doença de fácil tratamento, vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia. Este posicionamento não apenas carece de evidência científica, além de ser perigoso, pois tomou um aspecto político inesperado. Nenhum cientista é contra qualquer tipo de tratamento, somos todos a favor de encontrar o melhor tratamento possível, mas sempre com bases em evidências científicas sólidas. Baseado nessas evidências, a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) analisou os estudos sobre o tratamento com cloroquina e/ou hidroxicloroquina na COVID-19 e traz aqui um resumo das bases científicas que estão disponíveis até o momento.
Em relação à sua utilização na COVID-19, um dos primeiros estudos com proposta terapêutica para essa infecção mostrou que a associação entre hidroxicloroquina e azitromicina levava a uma diminuição da carga viral em pacientes tratados com esses dois fármacos (Gautret et al., 2020). Entretanto, esse estudo apresenta um grupo muito restrito de pacientes, com um total de 36 pacientes avaliados em 3 braços de tratamento, sendo uma amostragem pequena e sem grupo controle para comprovar qualquer resultado definitivo.
Mais recentemente, diferentes estudos com avaliação do uso da cloroquina/hidroxicloroquina em grupos mais abrangentes de pacientes foram publicados. Em um estudo retrospectivo multicêntrico de coorte, foram avaliados 1438 pacientes com confirmação laboratorial de infecção por SARS-CoV-2 admitidos em 25 hospitais (Rosenberg et al., 2020). Nesse estudo foram avaliados 4 braços de tratamento, hidroxicloroquina e azitromicina, hidroxicloroquina, azitromicina e sem uso desses dois fármacos. Inicialmente esse estudo mostrou que os pacientes que receberam hidroxicloroquina e azitromicina apresentaram uma maior incidência de falência cardíaca quando comparado com o grupo sem tratamento (Rosenberg et al., 2020). Além disso, esse estudo também mostrou que não houve nenhuma melhora significativa quanto à mortalidade quando foram avaliados os grupos de pacientes que receberem hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos os fármacos em associação em comparação com o grupo sem tratamento (Rosenberg et al., 2020).
Em outro estudo observacional em pacientes hospitalizados com COVID-19 foram avaliados 1376 pacientes (Geleris et al., 2020). Nesse estudo os pacientes foram avaliados quanto a necessidade de intubação orotraqueal e óbito em 2 braços, com ou sem tratamento com hidroxicloroquina. Esse estudo mostrou que a introdução do tratamento com hidroxicloroquina não foi associada com a diminuição ou aumento do risco de intubação ou óbito quando comparado com os pacientes que não receberam esse fármaco (Geleris et al., 2020). Entretanto os autores ressaltam que estudos randomizados são necessários para uma melhor conclusão quanto a eficácia dessa terapia.
Uma das principais críticas em relação aos estudos referidos anteriormente é que muitos dos pacientes avaliados estavam em estado grave quando receberam esses fármacos. Recentemente foram avaliados pacientes com COVID-19 moderada em estudo multicêntrico controlado randomizado (Tang et al., 2020). Nesse estudo foram avaliados 150 pacientes em dois braços, com ou sem tratamento com hidroxicloroquina, mostrando que não houve diferença quanto à evolução dos pacientes que usaram ou não esse fármaco, mas vários efeitos adversos relacionados ao uso de hidroxicloroquina foram relatados nos pacientes em uso desse medicamento (Tang et al., 2020). Corroborando esse estudo, Mercuro e cols. (2020) mostraram, em um estudo de coorte de 90 pacientes com COVID-19, que os indivíduos em uso da hidroxicloroquina tiveram um risco aumentado de apresentar um prolongamento do intervalo QT. Além disso, em estudo randomizado com pacientes graves com COVID-19, a utilização de alta dose de cloroquina como tratamento único ou em associação com azitromicina ou oseltamivir, não foi recomendado devido a segurança farmacológica relacionada com o prolongamento do intervalo QT e letalidade (Borba et al., 2020).
Baseados nas evidências atuais que avaliaram a utilização da hidroxicloroquina para a terapêutica da COVID-19, a Sociedade Brasileira de Imunologia conclui que ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da COVID-19. Estudos multicêntricos prospectivos com uma maior abrangência amostral e desenhados de forma randomizada e duplo-cego são necessários para diminuir o viés de interpretação dos resultados obtidos para prover a comunidade científica e médica do suporte necessário para conclusões definitivas sobre a utilização da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19.
Deve ser ressaltado que o investimento na pesquisa de outras possibilidades terapêuticas também deve ser priorizado para que tenhamos um maior número de terapias com potencial efetivo no tratamento da COVID-19. Sendo que até que tenhamos vacinas efetivas e melhores possibilidades terapêuticas comprovadas para o tratamento dessa doença, o isolamento social para conter a disseminação do SARS-CoV-2 ainda é a melhor alternativa nesse momento. Dados colhidos em vários países do mundo mostram que esta é a única medida efetiva para desacelerar as curvas de crescimento dessa infecção.
Finalmente, a SBI se solidariza com as famílias dos entes queridos que são perdidos todos os dias, e compreende a urgência e a ansiedade para se conseguir uma vacina ou tratamento eficaz que freie a terrível escalada de mortes ao redor do mundo. Como uma das sociedades científicas líder no Brasil, à frente das pesquisas sobre COVID-19, subscrevemos o recente editorial de uma das mais importantes revistas médicas no mundo, The Lancet (2020). Reforçamos que o engajamento da sociedade brasileira é fundamental para superar a grande crise sanitária que estamos vivendo e que a condução para as soluções devem ser fundamentadas em bases científicas multidisciplinares sólidas, como uma política de Estado.
Assinam este documento os pesquisadores integrantes do Comitê Científico e Diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia. São eles:

Comitê Científico
João Viola (Presidente)
Alexandra Ivo de Medeiros
Ana Caetano de Faria
Claudia Brodskyn
Cristina Bonorino
Daniel Mansur
Daniel Mucida
Fernando Cunha
Gustavo Menezes
Helder Nakaya
Jean Pierre Peron
João Marques
Jorge Kalil
Manoel Barral Netto
Patricia Bozza
Pedro Vieira
Renata Pereira
Diretoria
Ricardo Gazzinelli (Presidente)
Karina Bortoluci
Cristina Cardoso
Dario Zamboni
José Alves Filho

Bibliografia:
Borba et al. Effect of high vs low doses of chloroquine diphosphate as adjunctive therapy for patients hospitalized with severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2) infection: A randomized clinical trial. JAMA Netw Open. 3:e208857, 2020.
Gautret et al. Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial. Int J Antimicrob Agents. 2020 [Epub ahead of print].
Geleris et al. Observational study of hydroxychloroquine in hospitalized patients with Covid-19. N Engl J Med. 2020 [Epub ahead of print].
Mercuro et al. Interval prolongation associated with use of hydroxychloroquine with or without concomitant azithromycin among hospitalized patients testing positive for coronavirus disease 2019 (COVID-19). JAMA Cardiol 2020 [Epub ahead of print].
Rosenberg et al. Association of treatment with hydroxychloroquine or azithromycin with in-hospital mortality in patients with COVID-19 in New York State. JAMA 2020 [Epub ahead of print].
Tang et al. Hydroxychloroquine in patients with mainly mild to moderate coronavirus disease 2019: open label, randomised controlled trial. BMJ 369:m1849, 2020.
The Lancet. COVID-19 in Brazil: “So What”. Lancet 395:1461, 2020.31095-3/attachment/c424a26a-9642-469b-b1f3-431955b25a54/mmc1.pdf)
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2020.04.01 17:25 portalcuriosidades Portal Oficial de Curiosidades no Brasil

Se não fosse a inata curiosidade humana, sem dúvida ainda estaríamos vivendo em cavernas. É a paixão que temos por saber mais, entender o mundo e interagir com ele que nos fez chegar até aqui, por exemplo. As curiosidades mais interessantes do mundo foram descobertas por termos sede de conhecimento, portanto.
Sendo assim, saiba tudo sobre curiosidades, sobre a curiosidade em si e fique por dentro dos fatos curiosos mais interessantes. Adquira conhecimentos sobre o Brasil, o mundo, os animais, a natureza e tudo que seja de seu interesse.

Curiosidades nos movem

Desde os primórdios da humanidade, há sempre figuras que se destacam e criam formas de evoluir a comunidade. Esses representantes são, em suma, sempre os mais curiosos. São aqueles que observam a natureza e se pergunta como as coisas funcionam.

E não estamos falando apenas da curiosidade em si, mas das curiosidades em geral. Mesmo que não seja um tema que dominemos ou gostemos, acabamos nos interessando quando descobrimos fatos curiosos sobre ele. A vontade de saber mais pode trazer novos rumos e mudar vidas.

O que é a curiosidade?

Em resumo, a curiosidade é a luz que brilha dentro de cada um de nós e nos direciona a saber mais. Ela nos faz olhar para as coisas com as dúvidas necessárias para descobrir e, certamente, criar. Quem não aprende não evolui certo? E que não evolui está fadado à mesmice e falta de conhecimento, enfim.
A palavra curiosidade, em resumo, vem do latim curiositas, e significa “desejo por conhecimento”. Também pode ser entendida como “desejo por informação”. Ou seja, de um jeito ou de outro, a curiosidade é a forma mais básica do instinto que fez a humanidade chegar tão longe.

Curiosidades sobre a curiosidade – 5 tipos de curiosidade


Há vários tipos diferentes de curiosidade. Todas elas são impulsos naturais que objetivam a pessoa a se mover e buscar mais. Em suma, o ponto central é manter o ser humano em movimento e ação, mesmo que não seja fisicamente.
Os cinco tipos de curiosidades, em síntese, foram apontados em uma pesquisa de especialistas em psicologia e educação. Os dados foram publicados na revista Harvard Business Review. De acordo com a análise, cada tipo de curiosidade se manifesta com grau e intensidade diferentes em cada indivíduo.
Confira as curiosidades diferentes e descubra quais mais se manifestam em você:

- Procura por emoções

Este tipo de curiosidade faz o ser humano arriscar mais na busca por conhecimento. Com este tipo de curiosidade, a pessoa está mais disposta a ter riscos físicos, financeiros e até sociais para aprender e descobrir.
O detentor desta curiosidade busca mais situações que causam a ansiedade associada às novidades. Por outro lado, a maioria das pessoas busca fugir disso. E você?

- Tolerância ao estresse

A curiosidade faz com que algumas pessoas ignorem, ou até gostem, de alertas do organismo quanto às novidades. Porém, a busca, no caso, é por preencher espaços vazios em uma linha de conhecimento já existente. Ou seja, a pessoa busca complementar o que já conhece, a todo custo, mas não há tanto interesse em novos conhecimentos.

- Curiosidade social

É simplesmente a atitude de ganhar conhecimentos a partir da observação de outras pessoas. É a interação que soma e complementa. Quem tem este tipo de curiosidade, aprende sobre as pessoas e ganha novos conhecimentos apenas trocando ideias.
Enfim, um simples papo pode render muita coisa e dar um clique para a busca de informações e novidades. Mas também pode ser apenas uma forma inata de entender e desvendar os outros.

- Sensibilidade à privação

Ocorre quanto o curioso percebe que há uma lacuna nas informações que detém. Sendo assim, ele busca preencher este “vazio” e complementar o conhecimento para ter uma sensação de alívio e realização. Portanto, é um incentivo a buscar por curiosidades que ajudem na missão.
Cientistas e pesquisadores que trabalham incansavelmente para elucidar brechas em suas teorias, por exemplo, podem comprovar isso.

- Satisfação em explorar

Esta é uma das formas mais básicas de curiosidade. Primeiramente, as crianças são exemplos claros e gritantes deste tópico. A curiosidade, no caso, é aguçada apenas pela vontade de conhecer e desvendar o mundo.
Há um prazer em saber como as coisas funcionam e entender o porquê de tudo ser como é.

Curiosidades sobre o mundo


Conheça algumas curiosidades sobre o mundo que te farão querer saber ainda mais sobre a vida, a humanidade e a história:
- Pelo menos 2.500 canhotos morrem todos os anos em acidentes causados por ferramentas feitas para destros.
- O criador da lata de batatas Pringles, John Bauer, teve suas cinzas colocada em uma destas latas quando morreu, em 2008.
- Por lei, é proibido vender uma casa mal assombrada sem avisar o comprador, em Nova York.
- No Japão, algumas casas de banhos termais proíbem a entrada na água de pessoas tatuadas.
- Os homens têm seis vezes mais chances de serem atingidos por raios do que as mulheres.
Leia também: 10 fatos mais curiosos do mundo
- Nos Estados Unidos, há mais casas desocupadas do que moradores em situação de rua. Se todos ganhassem casas, ainda sobrariam lares vazios.
- Na Rússia, a cerveja não era considerada bebida alcoólica até 2011. Antes disso, para os russos, ela era considerada apenas um refresco.
- No ano de 1923, um tornado de fogo causou a morte de 38 mil pessoas em Tóquio, no Japão.
- É mais provável morrer atingido por um coco na cabeça do que por um ataque de tubarão.
- No ano de 2006, um australiano tentou vender a Nova Zelândia no eBay. O leilão chegou a 3 mil dólares australianos antes que o próprio site suspendesse a Negociação.

Curiosidades sobre o Brasil


- A palavra brasil significa “vermelho como brasa”, como era a cor da madeira do pau-brasil.
- O Brasil é o quinto maior país do planeta.
- Tocantins é o estado mais novo do Brasil. Ele foi fundado em 1988.
- O prato nacional brasileiro é considerado a feijoada.
- O nome oficial do país é República Federativa do Brasil.
- O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo todo. A Floresta Amazônica, em primeiro lugar, é responsável por isso.
- O Brasil é, em suma, o país no mundo que mais desmata a natureza.
- O Rio de Janeiro é a única capital europeia que já esteve fora da Europa. Isso, pois a cidade já foi capital de Portugal.
- O Brasil é o maior produtor de café do mundo.
- A árvore mais antiga do país é um jequitibá-rosa de mais de 3 mil anos. Ele fica na cidade de Passa Quatro (SP), no parque estadual de Vassununga.

Curiosidades sobre animais

- Uma água-viva tem o corpo composto 95% por água. E uma delas, a vespa-do-mar, é o animal mais venenoso do mundo, por exemplo.
- Vacas têm melhores amigas e passam por luto quando perdem entes queridos.
- Touros não odeiam a cor vermelha. Portanto, é o movimento e o brilho da capa do toureiro que os provoca.
- Há apenas três espécies de mamíferos que passam pela menopausa: elefantes, baleias jubarte e humanos.
- Cães sentem o cheiro de humanos a 1 km de distância.
- A mordida de um urso-pardo pode, certamente, partir uma bola de boliche.
- Bebês elefantes usam as trombas como chupetas.
- Cangurus não conseguem pular para trás.
- Gatos não sentem o sabor de doces, pois o paladar deles é desenvolvido apenas para carne.
- Girafas têm línguas que podem atingir até 50 centímetros e conseguem limpar as orelhas com elas.

Curiosidades sobre o Planeta Terra

- Nosso planeta é o único do sistema solar que não tem o nome de um deus.
- Vários meteoritos vindos de Marte caíram no deserto de Marrocos em 2011.
- O Planeta Terra é o mais denso de todo o sistema solar.
- Estima-se que a Terra tenha 4,5 bilhões de anos.
- A Ilha de Socotra é, sobretudo, o lugar mais estranho da Terra. Devido ao isolamento, as criaturas e natureza de lá são únicas e diferentes do resto do mundo.
- Há vida na Terra por mais de 80% da existência dela. Ou seja, há vida aqui praticamente desde sempre.
- Em 1816, devido a uma série de eventos, como erupções vulcânicas, a temperatura da Terra caiu drasticamente. Este foi conhecido como o ano sem verão, pois, de fato, não houve verão naquele ano.
- Daqui a 140 milhões de anos, um dia terá 25 horas devido à diminuição na rotação da Terra. O planeta gira 17 milissegundos mais devagar a cada 100 anos.
- No ano de 1033, foi registrada uma temperatura de 136°C na Líbia. É, sem dúvida, a temperatura mais alta já registrada na história.
- Cerca de 80% de toda a vida animal desenvolvida na Terra tem seis pernas ou mais.

Curiosidades sobre o corpo humano

- A composição química das lágrimas varia de acordo com o motivo: seja choro, alegria, raiva ou apenas um bocejo.
- O maior pênis do mundo é o do norte-americano Jonah Falcon. São 34, 29 cm, em síntese.
- O cérebro não pode sentir dor e 30% do sangue bombeado no corpo vai direto para o cérebro.
- A vagina se mantém limpa sozinha. Sendo assim, é necessária atenção na hora de usar produtos de limpeza na região.
- De acordo com estudos a maior parte dos ataques cardíacos acontecem às segundas-feiras.
- Homes e mulheres apresentam sintomas diferentes em casos de ataques cardíacos.
- Quando você está lendo, para si mesmo, com sua voz interior, sua laringe irá se mover, como se estivesse lendo em voz alta.
- A princípio, beijar a orelha de um bebê pode fazer com que ele fique surdo.
- Há mais micro-organismos vivendo em sua pele do que humanos no planeta inteiro, certamente.
- E todas as pessoas com olhos azuis no mundo todo são descendentes da mesma pessoa.
Em conclusão, voltamos a falar que as curiosidades são importantes e interessantes para o dia a dia. Portanto, busque sempre por conhecimento. Mas não deixe de fazer o que ama, dando sua contribuição ao mundo. Certamente você verá como a vida se ilumina quando fazemos o que gostamos.
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2019.12.11 21:36 Cassio_3xceler Intercâmbio nos Estados Unidos Mundial Intercâmbio

Intercâmbio nos Estados Unidos Mundial Intercâmbio

Intercâmbio nos Estados unidos Mundial Intercâmbio
Estudantes de todo mundo escolhem fazer intercâmbio nos Estados Unidos pelas possibilidades que o país proporciona de aprender ou aprimorar o inglês. O país permite diversas oportunidades de crescimento para todos. Você pode ir para várias cidades fazer o seu Intercâmbio em Nova York, Intercâmbio em São Francisco, Intercâmbio em Los Angeles.
O país que mais exporta seus costumes e cultura para o mundo ocidental é o lar de mais de 300 milhões de habitantes, espalhados por cidades tão diferentes entre si quanto as semelhanças que as unem nos Estados Unidos da América.
São milhares de estudantes do mundo todo, que visitam ou moram no país para aprender Inglês, cursar um programa acadêmico ou curso de férias e se misturam uns aos outros nessa experiência incrível de vivenciar a cultura mais difundida do mundo.

Infinitas possibilidades de pontos turísticos

Entre uma aula e outra, são mil possibilidades de passeios e programas: praias da Califórnia, Flórida ou Hawaii, trilhas pelo Grand Canyon ou Yellowstone, teatros da Broadway, caminhadas pelo Central Park, Chicago, Seattle, Boston e Miami.
Cenários que fazem parte do nosso conhecimento virtual e que nos abraçam com uma familiaridade incrível, fazendo com que sempre dá vontade de voltar!
A grande sacada é que tudo que fizer parte da rotina será sem legenda, respirando o idioma Inglês o tempo todo e conhecendo gente de diversas partes do mundo, com o mesmo objetivo de aprender o idioma e fazer amigos.
E além de toda a atração turística, os Estados Unidos são uma experiência única de cultura acadêmica e conhecimento de novas tecnologias e planejamento social colocados em prática no dia-a-dia da população, que só faz aumentar a empatia com esse país tão presente em nosso imaginário e tão competente na arte de fazer encantar. Realize já seu intercâmbio!

Sobre a Mundial Intercâmbio

A Mundial Intercâmbio é a maior rede de agência de intercâmbio do Brasil. Conte com a nossa ajuda para escolher o melhor pacote de intercâmbio. Para mais informações, entre em contato conosco!
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2019.12.03 02:02 TigerX1 Chamada para Despertar - Parte 2

Boa Black Monday pra você. Aquele dia em que você nota que tem alguma coisa errada com essa coisa de criar desconto por causa de um feriado americano, que nos faz lembrar que no resto dos dias do ano ou você não percebe a fraude ou então está sofrendo na mão do lucro abusivo de uma megaorganização.Mas se você achou pouco o Black Friday não se preocupe agora é Black Week até chegar a decoração natalina!
Semana já começa do caralho. Noticiário parece aquela cena de filme de apocalipse onde por 30 segundos você vê que o desastre é mundial e não só em Nova York. Se lembra do David Attenbourough? A voz daqueles documentários de como a natureza é bela? Pois bem, o cara falou que já é tarde demais. Mas ei fica de boas ai, a ONU se juntou em Madri então eles vão dar um jeito na coisa, né? Quando o sol tiver de rachar pensa na ONU que o medo passa, ou não.
Se você não acredita em mim basta ver o Bonner falando que o Homem de Bem está indignado com os 9 pisoteados em Paraisópolis. O que você achou que ia acontecer? Quando o herói popular é o Capitão Nascimento, você vai começar a ver as cenas do filme passando no Jornal Nacional. Do caramba mesmo é ver a polícia falando que vai investigar os vídeos que foram enviados, e não os mortos. Paraisópolis tá com um cheiro de Rodney King que nem tem graça!
Opa, eu fui muito mórbido? Que nada! Mórbido é ficar olhando feed de notícia e simpatizando com curtida e compartilhamento. Upvote não me serve de nada, nem me alimenta e nem diminui a raiva dentro do ser. Mas ei, bate uma punheta vê mais um meme do cão alaranjado virando figurinha. Tá tudo bem agora, o Paulão garantiu que o PIB vai dobrar e o Dellagnol é o elo mais fraco.
"Nossa, pega a diva irritada!" Foi o último que me disseram quando desabafei em pessoa. Caceta estamos irritados mesmo. Estamos irritados com essa lenga-lenga de direita x esquerda enquanto a porra da República vai caindo aos pedaços por corrupção e cortina de furmaça. Estamos irritados de que político virou sinônimo de bandido, e mais irritados ainda porque é verdade. Estamos irritados que construção só acontece em ano de eleição e para na metade depois do ajuste de 25% permitido em licitação. Estamos irritados que invés de defender Humanismo e o Avanço da Razão, a comunidade científica foca em cuspir artigo sem relevância. Estamos irritados porque o Joker é uma coisa que choca a classe média mas velho morrendo de paulada no ônibus não. Estamos irritados porque o Flamengo ganhou e por isso todo mundo esqueceu do Incêndio que matou os meninos. Estamos irritados, e isso, por si só, já deveria ser motivo de medo para as cabeças pensantes.
Mas eu não sou nenhum Tyler Durden ou Carlos Prestes pra ser objeto de admiração de ninguém. Na verdade eu não importo, eu nem sei o que eu quero. Sabe quem importa? Aldous Huxley, que acertou quando viu que o medo não era 1984 mas sim o Admirável Mundo Novo. Feeds infinitos, Algoritmos de Indicação, Grupo de WhatsApp e Curtidas; esses são os quatro cavaleiros do Apocalipse brasileiro. Agora esse discurso todo tá muito saudosista pro meu gosto, e longe de mim parecer que acredito numa Era de Ouro. Madre Teresa deixa os pobres se fudendo pra ficar perto de deus e Mandela batia na mulher quando pregava o fim do Apartheid. Única santa na terra é minha vózinha querida, e olhe lá que ainda dou uma rasteira nela.
O problema é que o futuro parece confuso e sem pé nem cabeça, melhor seria se o Ensaio sobre a Cegueira virasse real. O quão fudido é a mentalidade de alguém que prefere um mundo pós-apocalíptico do quê continuar na vida em sociedade? A pior parte é que eu não estou sozinho, você sabe que no fundo todo mundo acha Zumbilândia muito mais divertido do quê o Al Gora subindo naquele negócio. Teve um filme de Rodrigo Santoro que me marcou pra Caralho, Bicho de Sete cabeças, pra mim ele é a perfeita metáfora do que tá acontecendo. A muito tempo atrás acharam alguma coisa errada com a Raça Humana, e hoje tá todo mundo preso num Asilo sem reconhecer quem é.
E eu sei o que você vai dizer, hedionistazinhx: "Se o passado não te agrada e o futuro te assusta, se entrega pro presente, cara! Curte a vida!" Essa foi a maior enrolada que os caras já bolaram. Pão e Circo, mantém a roda girando, enquanto tiver um s08e06 pra galera reclamar, enquanto tiver Tinder, iFood e Black Friday pros caras levaram a dose de morfina sem ter muito que pensar então a coisa tá legal! Jack Kerouac tem algumas lições sobre porque o movimento beatnik não funcionou. Kurt Cobain comeu uma dose de buckshot expressa. Cuidado com o dia quando a onda deixa de bater, tu vai querer se jogar no fundo do poço nesse dia.
Mas eu já percorri essa linha de raciocínio. Estoico, Cínico, Hedionista, Otimista, Pessimista, Zen, Tao, Cristão, Evangélico, Mulçumano, Coach Quântico, Zaibatsu, Militância e o escambal. Sabe qual a única verdade? A gente foi feito com um defeito. Pergunta pra um Biologista que estude a coisa a sério, e tu vai ver que a natureza inteira parece que tá se segurando com uma espécie de Silvertape molecular e é um verdadeiro milagre que essa porra tenha chegado onde chegou. E o universo inteiro tá vivendo uma adaptação de Socorro, o Piloto sumiu em escala cósmica. Dirigido pelo Diabo, Roteiro por Deus e Produção da Globo
Todas as estradas levam a Roma. Então, como que você tá preenchendo o vazio da tua alma? 
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2019.11.07 06:30 altovaliriano Novo conto de Wild Cards disponível em Tor.com

Um novo conto do universo Wild Cards chamado "Naked, Stone, and Stabbed" está disponível em inglês no site Tor.com. A história é de autoria de Bradley Denton, escritor americano de ficção científica, apelidado por GRRM de "Bad Brad Denton".
A sinopse deste novo conta é a seguinte:
Freddie está procurando por respostas. Freddie também é um pouco extravagante: em sua aparência, em seus gostos musicais, e sim, ele também é um ás incipiente que pode manipular o som. Mas ele tem um show para ir, como roadie do The Who, e a oportunidade de uma vida na cidade de Nova York. Entenda, a única coisa que Freddie quer é a oportunidade de conhecer sua meia-irmã mais velha - e nem mesmo um incêndio suspeito no Bowery Ballroom pode detê-lo.
Bradley já havia participado do universo Wild Cards em 2018, como co-autor de outra história chamada "The Flight of Morpho Girl", também disponível no site Tor.com.
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2019.08.20 16:27 Amanda3exceler Intercâmbio nos Estados Unidos Mundial Intercâmbio

Intercâmbio nos Estados Unidos: 4º maior país do mundo

Fazer Intercâmbio nos Estados Unidos pela Mundial Intercâmbio, é conhecer o principal país do mundo, influenciando seus costumes e culturas para todo o mundo ocidental. Com mais de 300 milhões de habitantes, os Estados Unidos são uma experiência incrível.
Além disso, os Estados Unidos possuem a principal economia do mundo, a sua moeda é forte e é usada como referência para demonstrar dados econômicos.

Por que fazer Intercâmbio nos Estados Unidos?

Além de aprender o inglês, está oportunidade lhe permite conhecer muito sobre o país e seu povo progressista e apaixonado por esportes e pela fama.
Estudantes de todo mundo escolhem os Estados Unidos pelas possibilidades que o país proporciona de aprender ou aprimorar o inglês. O país permite diversas oportunidades de crescimento para todos. Você pode ir para várias cidades fazer o seu Intercâmbio em Nova York, Intercâmbio em São Francisco, Intercâmbio em Los Angeles.

Intercâmbio nos Estados Unidos: Pontos turísticos

Não conhece os Estados Unidos? São várias atrações e pontos turísticos que vão encantá-lo. Vamos conhecer:

Hollywood – Los Angeles

Difícil falar de Hollywood, simplesmente um dos lugares mais badalados do mundo inteiro. A casa oficial do cinema e principal centro de premiações do mundo do entretenimento. Lá você encontra a Calçada da Fama, o Museu de Cera das Estrelas, o letreiro mais famoso do universo, além de possivelmente encontrar algum artista famoso pela rua.

Times Square – New York

Tecnologia e diversidade cultural espalhados em alguns quarteirões dentro da cidade de New York. A Times Square reserva tudo aquilo que há de mais moderno e atraente como forma de tendências mundiais. Referência em todos aspectos, é impossível visitar as proximidades da cidade e não dar um pulinho para conhecer esse lugar ímpar!

Disney – Orlando

Em poucas palavras: Diversão sem fim! Uma verdadeira terra preparada para turistas conhecerem os encantos do universo do Mickey e da Minnie. Um dos lugares prediletos dos brasileiros que já foram visitar o Estados Unidos, e a viagem traz consigo grandes lembranças deste mundo mágico de Walt Disney.

Millenium Park – Chicago

O portão de visitas da cidade de Chicago. Um parque muito belo e moderno que te traz um momento mais gostoso com a natureza, em meio às loucuras que encontramos no passeio da cidade. Dentro do parque, também temos um encontro com a The Bean, uma grande bola de aço e outro importante ponto turístico da cidade, um perfeito lugar para se ver em novas formas e tirar milhões de fotos.

Centro Espacial da NASA – Houston

Uma aventura totalmente diferente de todos os pontos turísticos que você já deve ter visitado. Vamos ‘navegar’ através das galáxias e conhecer um pouco mais sobre o nosso planeta e tudo aquilo que há em volta. Uma experiência muito divertida e altamente recomendável para todas as idades. Um lugar único! National Aeronautics and Space Administration – NASA

Como é a moeda dos Estados Unidos?

Nos Estados Unidos a moeda nacional é o dólar, apresentado em cédulas de US$1, US$2, US$5, US$10, US$20, US$50 e US$100.

Qual é a língua oficial?

O idioma oficial dos Estados Unidos é o inglês.

Maior exportador de cultura do planeta

O país que mais exporta seus costumes e cultura para o mundo ocidental é o lar de mais de 300 milhões de habitantes, espalhados por cidades tão diferentes entre si quanto as semelhanças que as unem nos Estados Unidos da América.
São milhares de estudantes do mundo todo, que visitam ou moram no país para aprender Inglês, cursar um programa acadêmico ou curso de férias e se misturam uns aos outros nessa experiência incrível de vivenciar a cultura mais difundida do mundo.

Infinitas possibilidades de pontos turísticos

Entre uma aula e outra, são mil possibilidades de passeios e programas: praias da Califórnia, Flórida ou Hawaii, trilhas pelo Grand Canyon ou Yellowstone, teatros da Broadway, caminhadas pelo Central Park, Chicago, Seattle, Boston e Miami.
Cenários que fazem parte do nosso conhecimento virtual e que nos abraçam com uma familiaridade incrível, fazendo com que sempre dá vontade de voltar!
A grande sacada é que tudo que fizer parte da rotina será sem legenda, respirando o idioma Inglês o tempo todo e conhecendo gente de diversas partes do mundo, com o mesmo objetivo de aprender o idioma e fazer amigos.
E além de toda a atração turística, osEstados Unidos são uma experiência única de cultura acadêmica e conhecimento de novas tecnologias e planejamento social colocados em prática no dia-a-dia da população, que só faz aumentar a empatia com esse país tão presente em nosso imaginário e tão competente na arte de fazer encantar.

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2019.08.20 16:16 Amanda3exceler Intercâmbio no Canadá Mundial Intercâmbio

Intercâmbio no Canadá: segundo país mais desenvolvido do planeta

Faça Intercâmbio no Canadá com a Mundial Intercâmbio e conheça um país com paisagens naturais exuberantes e uma sociedade cultural de influências britânicas e francesas.
O Intercâmbio no Canadá é sua chance de conviver com uma sociedade multicultural e tolerante, com influências orientais e ocidentais. Além disso, ter a possibilidade de exercer um trabalho remunerado, é um excelente motivo para fazer Intercâmbio no Canadá.
Além disso, no Intercâmbio no Canadá, você terá acesso aos paraísos naturais em sintonia com a modernidade e a tecnologia realizando um Intercâmbio em Toronto ou em Vancouver.

Por que fazer Intercâmbio no Canadá?

Seja para aprender um novo idioma ou para aprimorar o seu inglês, cursos técnicos ou universitários, o Canadá é um dos países que mais recebe estrangeiros. Além disso, nas Instituições de Ensino Superior no país, aproximadamente 20% dos estudantes são alunos estrangeiros e são muitos os fatores que fazem do Canadá um dos países preferidos tanto pelos estudantes, quanto para os turistas.

Intercâmbio no Canadá: Pontos turísticos

Não conhece o Canadá? São várias atrações e pontos turísticos que vão encantá-lo. Vamos conhecer:

Parliament hill – Ottawa

Apesar de não ter a grande preferência dos turistas ao país, a capital oferece um histórico e lendário local com um pouco da essência canadense. Plasticamente muito belo, o Parliament Hill reúne uma série de salas e documentos importantes para a cidade e o Canadá. Isto é, faça dessa visita, um ponto obrigatório no seu mapa.

Union Station – Toronto

Visitar uma cidade como Toronto significa se encantar com todo tipo de entretenimento que se encontra. Mas um lugar legal para os mais diferentes tipos de pessoas e idades, é a Union Station. Uma gigante estação de trem que pode ser entendido como um grande polo cultural de Toronto. Você encontra de tudo lá, e conhecê-lo pode te significar novas amizades.

Stanley Park – Vancouver

Se São Paulo tem o Parque do Ibirapuera e New York o Central Park, Vancouver apresenta o Stanley Park. Muito prazer. Um dos lugares naturais mais famosos e interessantes de se visitar no Canadá, o parque recebeu o nome em homenagem a Frederick Arthur Stanley, importante político da história canadense, que também recebeu as honras sobre a Stanley Cup (Troféu da principal liga de hóquei no gelo do mundo).

Boulevard Saint Laurent – Montréal

Um acervo histórico compreendido como uma grande rua da cidade de Montreal. Criada no ano de 1672, a ‘Rua de São Lourenço’ reserva alguns comércios e, principalmente, restaurantes que trazem uma tematização única para os seus momentos em Montreal.

La Citadelle – Québec

Importante prédio militar do Canadá. Assim como os principais pontos turísticos do país, La Citadelle se destaca pela sua história e arquitetura clássica que valorizam seus antepassados e suas conquistas em prol da nação. Talvez um dos edifícios bélicos mais bonitos do mundo, vale a pena conhecer esse lado da cultura canadense.

Como é a moeda do Canadá?

No Canadá a moeda nacional é o dólar canadense, apresentado em cédulas de $5, $10, $20, $50 e $100.

Qual é a língua oficial?

O Canadá possui dois idiomas oficiais: inglês e francês.

Território grande e desenvolvido

O Canadá tem um extenso território e diversas cidades que estão abertas para todos que vão para o Intercâmbio no Canadá, Vancouver e Toronto são apenas alguns exemplos de lugares para visitar.
Qualidade de vida, diversidade de tipos de curso e realizar o sonho de estudar no exterior são os benefícios de estudar no Canadá.
Conhecido por ser um país de alto grau de desenvolvimento, clima frio e paisagens naturais exuberantes, o Canadá vai mais além: a sociedade tem uma herança cultural que já começou diversa, com influências britânicas e francesas, e hoje é tida como uma das mais multiculturais e tolerantes do planeta, assimilando influências ocidentais e orientais em seu cotidiano.
O segundo maior país em território do mundo abriga uma população de mais de 35 milhões de habitantes que convivem sob um regime democrático altamente funcional, que coleciona índices econômicos e sociais respeitáveis.
O Canadá permite que seus cidadãos recebam serviços públicos da melhor qualidade, como escolas, hospitais, segurança, transporte e agenda cultural vasta, acessível a toda a população.

Nação bilíngue

Quanto aos idiomas, o Canadá considera o Inglês e o Francês como idiomas oficiais, sendo que o Inglês é amplamente falado em quase todas as províncias do país.
Com exceção à província de Quebec, onde o Francês é amplamente difundido, e ainda há a cidade de Montreal que é, incrivelmente, uma das cidades mais bilíngues do mundo, onde os idiomas francês e inglês convivem quase que simultaneamente na vida de seus cidadãos e em toda a rotina da região, sendo que todas as escolas da região oferecem cursos dos dois idiomas.
Em um país com dimensões continentais, há realmente uma diversidade de cidades com características diferentes entre si, mas que são procuradas por turistas e estudantes do mundo todo, entre elas: Ottawa, Calgary, Montreal, Vancouver, Halifax, Winnipeg, Toronto e Quebec City.

Canadá: Modernidade e bom convívio social

A experiência de viver e morar no Canadá é, acima de tudo, conviver com o que há de mais moderno e eficiente na convivência social, com uma integração de culturas altamente pacífica e planejamento urbano consciente.
De modo que a natureza impõe a presença em qualquer cidade, com seus lindos e enormes parques, ciclovias, praias bem preservadas e montanhas que aguardam a boa convivência dos esportistas de esqui, mountain bike, snowboard, kayaking e trekking o ano todo. Além disso, a agenda cultural pelo país vai de rodeios e festivais gastronômicos, às grandes mostras de cinema e teatro, e ao maior circuito de esqui e snowboard do mundo!
Garanta suas passagens aéreas e venha fazer um Intercâmbio no Canadá pela Mundial Intercâmbio! Entre em contato conosco e tire todas as dúvidas.

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2019.06.03 16:18 Amanda3exceler Intercâmbio nos Estados Unidos

Fazer Intercâmbio nos Estados Unidos da América, na Mundial Intercâmbio é conhecer o principal país do mundo, influenciando seus costumes e culturas para todo o mundo ocidental. Com mais de 300 milhões de habitantes, os Estados Unidos são uma experiência incrível.

Intercâmbio nos Estados Unidos

Além de aprender o inglês, o Intercâmbio nos Estados Unidos lhe permite conhecer muito sobre o país e seu povo progressista e apaixonado por esportes e pela fama.
Estudantes de todo mundo decidem pelo Intercâmbio nos Estados Unidos pelas possibilidades que o país proporciona de aprender ou aprimorar o inglês.
Desejado pelos estudantes e trabalhadores, o país permite diversas oportunidades de crescimento para todos. Você pode ir para várias cidades fazer o seu Intercâmbio em Nova York, Intercâmbio em São Francisco, Intercâmbio em Los Angeles.

Maior exportador de cultura do planeta

O país que mais exporta seus costumes e cultura para o mundo ocidental é o lar de mais de 300 milhões de habitantes, espalhados por cidades tão diferentes entre si quanto as semelhanças que as unem nos Estados Unidos da América.
São milhares de estudantes do mundo todo, que visitam ou moram no país para aprender Inglês, cursar um programa acadêmico ou curso de férias e se misturam uns aos outros nessa experiência incrível de vivenciar a cultura mais difundida do mundo.

Infinitas possibilidades de pontos turísticos

Entre uma aula e outra, são mil possibilidades de passeios e programas: praias da Califórnia, Florida ou Hawaii, trilhas pelo Grand Canyon ou Yellowstone, teatros da Broadway, caminhadas pelo Central Park, Chicago, Seattle, Boston e Miami.
Cenários que fazem parte do nosso conhecimento virtual e que nos abraçam com uma familiaridade incrível, fazendo com que sempre dê vontade de voltar!
A grande sacada é que tudo que fizer parte da rotina será sem legenda, respirando o idioma Inglês o tempo todo e conhecendo gente de diversas partes do mundo, com o mesmo objetivo de aprender o idioma e fazer amigos.
E além de toda a atração turística, os Estados Unidos são uma experiência única de cultura acadêmica e conhecimento de novas tecnologias e planejamento social colocados em prática no dia-a-dia da população, que só faz aumentar a empatia com esse país tão presente em nosso imaginário e tão competente na arte de fazer encantar.

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2019.03.09 17:25 O-Pensador Por que imposto é roubo?

Talvez a frase de efeito mais famosa dentre os libertários é: “Imposto é roubo.” Apesar de ser uma verdade, que implica, em particular, a ilegitimidade do estado — visto que roubo é um crime, independentemente se praticado por cidadãos ou se por governos —, o fato é que vejo poucas pessoas que sabem dar uma justificativa correta a essa afirmação. Isto se deve em parte à fácil intuição gerada por ela, pois qualquer um sabe que, se uma pessoa não pagar impostos e resistir às intimidações do estado, ela será sequestrada pelo governo, como ocorreu com o famoso ativista anti-imposto Irvin Schiff, que em 2015 faleceu na cadeia por defender a ilegalidade do imposto de renda nos EUA [1]. Porém, essa constatação da ameaça implícita por trás dos impostos não é suficiente para determinar que o imposto é de fato um crime, embora seja obviamente uma condição necessária. Sendo mais preciso, poderíamos ter duas, e apenas duas, situações onde o imposto poderia ser visto como como algo legítimo, caso fosse: 1) um pagamento previsto em um contrato implícito, chamado “contrato social”, onde, no passado, as pessoas, legitimamente possuidoras de suas propriedades, abriram mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social; e/ou 2) uma taxa forçada feita pelo estado a fim de pagar suas despesas de manutenção, caso análogo a um condomínio, onde a posse territorial do estado seria legítima. Esses dois casos resumem todos os principais argumentos pró-imposto dos estatistas, de modo que para demonstrar que o imposto está fora da lei, é suficiente refutar ambos os casos, mostrando que o contrato social, caso exista como contrato implícito, não pode ser legalmente executável e que o território do estado não é legitimamente apropriado. Daí seguirá nossa famosa tese que imposto é de fato um assalto a mão armada.
Antes, porém, é importante ressaltar que questões sobre o estado ser necessário (e não é) para prover bens públicos [2] ou de seu surgimento ser ou não inevitável [3] dentro de uma sociedade livre são irrelevantes para determinarmos a justiça do imposto, pois estão em diferentes categorias epistemológicas: “imposto é roubo” é uma afirmação dentro do âmbito da Ética, das questões prescritivas, i.e., que tratam do dever, enquanto que as demais questões relativas ao estado são meramente descritivas. E como David Hume observou, [4] um dever nunca deve seguir de um ser, i.e., é epistemologicamente equivocado derivar verbos no imperativo de outros no indicativo – no nosso caso, derivar “você deve pagar impostos” de “o estado é necessário para manter a ordem” ou “o estado é inevitável”. Nesse artigo, vamos nos focar nas disciplinas da Ética e do Direito.
O Contrato Social é Uma Ficção Supérflua
Geralmente argumenta-se que o estado, tendo ou não posses legítimas, pode cobrar impostos, pois existe algum tipo de consenso implícito em torno desse arranjo social — a legitimidade se origina então da anuência dos cidadãos. A esse corpo de ideias que postulam um contratualismo implícito em sociedade feito para manter a ordem e instaurando, para isso, um regime político específico, se dá o nome geral de teorias do Contrato Social.
Antes de mais nada, é bom deixar claro que o Contrato Social jamais pode ser um contrato executável por lei, ou seja, um acordo cuja quebra pode resultar em retaliação legal. Primeiro porque — como os próprios teóricos contratualistas assumem — ele é implícito, não tendo uma expressão objetiva de consentimento. E, de fato, é deveras óbvio para qualquer um que ninguém foi consultado sobre a aderência ao arranjo político democrático que vivemos hoje. Nunca os estados modernos fizeram consultas entre as populações dominadas para que questionassem suas legitimidades e perguntassem sobre a possibilidade de elas gerirem suas propriedades por si mesmas, sem o estado como decisor último de instâncias. O ônus da prova desse consentimento recai todo sobre os contratualistas, que até agora não forneceram nenhuma evidência nesse sentido. E sequer poderiam. É um fato histórico que em geral os estados modernos surgiram não de um acordo voluntário em sociedade a fim de criar uma administração com a função de centralizar o poder público, mas sim pela conquista militar e ameaça de força física. Isto deveria ser deveras óbvio, pois é completamente irrealista que, dentro de um grupo de pessoas sempre alertas à possibilidade do surgimento de conflitos, alguém proponha, como solução a este problema, que ele próprio se torne o arbitrador supremo e monopolista de todos os casos de conflitos, inclusive daqueles em que ele mesmo esteja envolvido. Seria uma proposta no mínimo risível, por maior que seja a reputação que esse membro destacado tivesse.
Em segundo lugar, mesmo que tenha havido consenso no passado — e não temos registro algum disso, mas ao contrário, como veremos abaixo —, o Contrato Social é uma relação de subordinação individual e portanto precisa ter uma cláusula de rescisão, haja vista que a vontade humana é inalienável. Sob a ausência de tal cláusula, ele se torna um acordo tão absurdo como um contrato de “escravidão voluntária”, não tendo sentido legal algum. Com efeito, um consentimento sem rescisão prevista em contrato é uma mera promessa, de modo que a iniciação de força para fazer cumprir tal contrato tem o mesmo efeito legal de agredir pessoas em virtude de discursos. Vejamos o caso clássico de “contratos de escravidão” em mais detalhes. Suponhamos então que A promete (ou realiza contratos, ou concorda; a terminologia não é importante) em ser escravo de B, sendo assim uma tentativa de consentir agora para forçar ações no futuro. Se A depois muda de ideia e tenta fugir, pode B usar força contra A? Esta é a pergunta crucial. Se a resposta for sim, isso significa que A não tem o direito de se opor e alienou eficazmente os seus direitos. No entanto, isso não poderia acontecer simplesmente porque não há nenhuma razão para que A não possa retirar o seu consentimento. Assim, não é inconsistente para A, mais tarde, se opor ao uso de força. Tudo o que A fez anteriormente foi proferir palavras para B, tais como, “eu concordo em ser seu escravo.” Mas isso não agride B em qualquer sentido subjetivo tanto quanto não há agressão ao proferir o seguinte insulto: “Você é feio”. As palavras por si só não podem agredir, isso é – inclusive – uma das razões as quais justificam o direito à liberdade de expressão. Em poucas palavras, um proprietário de escravos deveria ter o direito de usar a força contra o escravo para que a escravidão seja mantida e que os direitos sejam dessa forma alienados, entretanto o escravo não teria previamente iniciado força contra o proprietário de escravos. Logo, o proprietário de escravos não tem o direito de usar a força contra o escravo e, assim, nenhum direito de fato foi alienado. O mesmo vale para o contrato social, que pode ser pensado como um caso particular do aqui exposto.
Em terceiro e último lugar, se existiu um contrato social para legitimar a espoliação moderna do estado, então ele certamente diz respeito às gerações passadas e não às nossas. E da mesma forma que crimes não podem passar de pais para filhos, visto que a pena é sempre individual, promessas de cumprimento contratual também não. Assim, um consentimento — implícito ou não — no passado não pode ser herdado hoje pelas gerações que não participaram direta ou indiretamente desse processo.
Tendo derrubado as teorias do Contrato Social sob o prisma jurídico, resta dele apenas mera formalidade, um conceito abstrato para ilustrar uma suposta necessidade do estado. Este foi o caso de Thomas Hobbes, que sustentou que, em estado natural, as pessoas iriam reivindicar cada vez mais direitos, ao invés de menos, levando a conflitos incessantes e cada vez maiores. Urge então a necessidade de um arbitrador soberano, acima e exterior à sociedade civil. A ideia jurídica por trás disso é clara: acordos requerem um fiscal externo que os torne vinculantes. O estado não pode portanto seguir daí, pois quem iria tornar esse mesmo acordo vinculante, se não há árbitros fora do estado? De duas, uma: ou será necessária a instauração de outro estado (caindo em regressão infinita) ou o próprio estado hobbesiano está, por si só, em estado de anarquia dentro de si mesmo. Na prática, nos encontramos no segundo caso, onde o estado não está vinculado a nenhum fiscal externo. Não há contratos fora do estado de modo que todos os conflitos envolvendo-o (seja dele com cidadãos privados, seja entre ele e seus parasitas) será sempre resolvido dentro de seus próprios mecanismos jurídicos, com suas próprias autoimpostas regras, i.e, com as restrições que ele mesmo, e apenas ele, se impõe a si. Em relação a si próprio, o estado ainda está no estado natural de anarquia caracterizada pela autofiscalização e pelo autocontrole, da mesma forma que a sociedade em “estado natural”. Só que pior: dado que o homem é como ele é, e dado que o estado é formado por homens, ele tem uma tendência natural a mediar seus conflitos em seu próprio benefício, em detrimento dos cidadãos privados. O totalitarismo é seu destino inevitável.
Outro teórico do Contrato Social foi John Locke, que assim como Hobbes inicia sua teoria focando num estado de natureza [5], que, através do contrato social, vai se tornar o estado civil. Porém, ao contrário de Hobbes, Locke vê a relação da sociedade com o Contrato Social não como uma subordinação, mas sim como um consentimento. E uma vez que o consentimento é dado, o governo, segundo Locke, tem o dever de retribui-lo garantindo a liberdade individual de duas formas básicas: fazendo valer o direito à propriedade para o homem conseguir seu sustento e sua busca à felicidade; e assegurando a estabilidade jurídica para que os homens possam resolver seus conflitos e assim assegurar a paz.
Um importante ponto do contratualismo lockeano é que a delegação de poder ao governante não retira dos indivíduos o direito de removê-la se eles julgarem que o governante traiu a confiança nele depositada:
“Pois todo poder concedido em confiança para se alcançar um determinado fim, estando limitado por este mesmo fim, sempre que este fim é manifestamente negligenciado, ou contrariado, a confiança deve necessariamente ser confiscada (forfeited) e o poder devolvido às mãos daqueles que o concederam, que podem depositá-lo de novo onde quer que julguem ser melhor para sua garantia e segurança.” [6]
Assim, o governante que quebra a confiança nele depositada está, segundo Locke, em estado de guerra com a sociedade, pois agiu de modo contrário ao direito, do mesmo modo que o indivíduo que viola a lei natural.
Apesar do significativo avanço do contratualismo lockeano frente ao de Hobbes no que diz respeito às liberdades individuais, dada sua ênfase na manutenção do direito natural à propriedade [7] e no consenso dos cidadãos, ele peca em ser demasiadamente ingênuo do ponto de vista político. O ponto de Locke a favor de um governo “voluntário” que tem legitimidade enquanto cumprir suas funções delegadas pela sociedade civil pode parecer razoável à primeira vista, mas, afinal, o estado é uma instituição de natureza definitiva, e as ações esperadas disso são determinadas pela sua natureza e não pelos nossos desejos e fantasias. Então, a verdadeira questão é se é realista esperar este tipo de operação automática e imparcial de um monopólio centralizado. E de fato, não é. O poder corrompe, porque atrai o corruptível. E o sistema de incentivos de um monopólio estatal é verdadeiramente perverso. A história está aí para mostrar que, como tendência geral, a liberdade humana é cada vez mais sufocada pela ameaça estatista e pouco ou nada pode-se fazer para deter isso dentro do âmbito político [8].
A experiência histórica da Revolução Americana foi profundamente influenciada por John Locke e ilustra muito bem o caráter utópico das ideias lockeanas de governo limitado e consensual. A famosa frase “Governos são instituídos entre os Homens, derivando seus justos Poderes do Consentimento dos Governados” foi proferida quando os revolucionários norte-americanos justificaram sua secessão do Império Britânico, dando um marco inicial à primeira república fundada por um ideário genuinamente liberal. A constituição americana foi redigida no propósito de limitar as funções do governo para os propósitos lockeanos e assim, em tese, proibia cabalmente o exercício de políticas esquerdistas (bem-estar social) e direitistas (belicismo). E é claro também que o significado geral da constituição não dá margens para dúvidas: o princípio dominante de que tudo que o Governo Federal não está autorizado a fazer está proibido de fazer. A décima emenda, por exemplo, proíbe o Governo Federal de exercer quaisquer poderes não especificamente atribuídos a ele pela constituição. Isso por si só invalidaria o estado de bem-estar social e, de fato, praticamente toda a legislação progressista. Mas quem se importa? Até mesmo o famoso jurista constitucional Robert Bork considerou a Décima Emenda politicamente inexequível.
A constituição americana já pode ser considerada morta desde a Guerra Civil, quando o direito de secessão foi negado aos estados do Sul. Ora, mas isso não era constitucional? Os estados federados não poderiam retirar-se da União? Lincoln, através dos resultados estabelecidos após a Guerra Civil, declarou que a União era “indissolúvel”, a menos que todos os estados federados concordassem em dissolvê-la. É sempre o próprio estado que irá decidir, pela força, o que a constituição “significa” firmemente decidindo a seu próprio favor e aumentando seu próprio poder em prol dos caprichos pessoais da casta política. Isto é verdade a priori, e a história americana apenas ilustrou isso. Assim, as pessoas são obrigadas a obedecer ao governo, mesmo quando os governantes traem seu juramento perante Deus de defender a constituição.
Daí em diante, as portas para o socialismo estavam escancaradas e o New Deal de Roosevelt foi a prova final desse fato. A América olhou calada a mais uma grave usurpação de poder, dessa vez de viés esquerdista, um claro golpe inconstitucional. Roosevelt e seus asseclas da Suprema Corte interpretaram a Cláusula do Comércio de forma tão abrangente de modo a autorizar praticamente qualquer reivindicação federal, e a Décima Emenda de forma tão restrita de forma a privá-la de qualquer força para frear tais reivindicações. Hoje, essas heresias são tão firmemente arraigadas que o Congresso raramente ainda se pergunta se uma proposta de lei é autorizada ou proibida pela constituição.
O estado não possui legitimamente propriedades
Ainda que não haja nenhum consenso em torno da estrutura política em que vivemos, o imposto para sustentá-la ainda poderia ser justificado caso o estado fosse considerado uma espécie de condomínio. Esse seria o caso se, e somente se, ele possuísse posses legítimas, pois daí seu território configuraria propriedade e o indivíduo que não estiver satisfeito com o retorno do imposto e se rejeitar a pagá-lo teria apenas a opção de deixar o “país” — do contrário, o uso de força por parte dos agentes do estado estaria justificada. Essa geralmente é a visão das ditaduras e dos regimes nacionalistas totalitários, onde o chavão “ame seu país, ou deixe-o” é muito comum e aparece em diversas versões nas propagandas governistas.
Veremos contudo que esse não é o caso e que a história do surgimento dos estados e de suas evoluções territoriais está profundamente marcada por guerras e injustiças nas delimitações de seus títulos de “propriedade”.
Dado que estamos analisando a justiça dos atos do próprio estado, precisamos de uma teoria legal consistente e independente do mesmo. Mais especificamente, precisamos de uma norma universal e atemporal acerca da justiça de delimitação de títulos de propriedade que nos forneça um critério preciso e objetivo de quando determinada posse é justa, i.e., quando ela configura a propriedade, entendida aqui como o direito legal de controle exclusivo de um bem escasso.
Comecemos então do início, respondendo à mais básica das perguntas do Direito: para que precisamos de leis? A chave para resolvê-la reside no conceito de escassez, que é o caracteriza nossa realidade econômica na Terra. Com efeito, se considerarmos um mundo de completa abundância, onde todos os recursos teriam replicabilidade infinita, sem danos às cópias originais, então nenhuma lei de delimitação de propriedades seria necessária e tampouco a ideia de “roubo” faria sentido. É apenas em virtude da finitude dos recursos disponíveis para o homem agir que necessitamos de uma regra universal para especificar quem tem o direito de controlar o quê. Na própria ação humana, o conceito de escassez já está subentendido, pois ao agir, o homem está fazendo escolhas específicas de como usar seu próprio corpo (também um recurso escasso) e os bens que o circundam. E escolher, i.e., preferir um estado de coisas a outro, implica que nem tudo, nem todos os prazeres ou satisfações possíveis podem ser obtidos de uma só vez e ao mesmo tempo. Ocorre na verdade o exato oposto: a ação humana implica que algo considerado menos valioso tem de ser declinado de forma a que se possa ater-se a qualquer outra coisa considerada mais valiosa. Assim, escolher também implica sempre a avaliação de custos: adiar possíveis prazeres porque os meios necessários para consegui-los são escassos e são ligados a algum uso alternativo que promete retornos mais valiosos que as oportunidades preteridas.
Assim sendo, a escassez combinada com o convívio do homem em sociedade produz conflitos que dizem respeito ao controle de um mesmo bem (i.e., um mesmo meio) para atingir fins distintos. Enquanto mais de uma pessoa existir, as amplitudes de suas ações se interceptarem, e enquanto não existir nenhuma harmonia e sincronização de interesses pré-estabelecidos entre essas pessoas, os conflitos sobre o uso do próprio corpo delas e dos recursos escassos em geral serão inevitáveis. É para resolver tais conflitos que as leis se fazem necessárias.
Uma vez que uma regra universal acerca do uso e controle de recursos escassos tenha sido estabelecida, e todos passarem a segui-la, então naturalmente os conflitos cessarão, pois as distinções entre o que é meu e seu estarão definidas por via dessa regra. As próximas perguntas que se seguem, que são inevitáveis nesse ponto, são: existe uma tal regra? E se existe, ela é única? Ou será que existe uma infinidade delas, sendo nossa escolha essencialmente arbitrária? A resposta é que existe apenas uma e sua escolha é uma necessidade lógica, dados os propósitos da lei. Pode-se concluir isto usando a exigência da universalidade e analisando a importante distinção entre posse e propriedade. A intuição aqui é bastante simples, pois se uma pessoa invade minha casa e toma meu carro, ela terá a posse dele, mas a propriedade do carro continua sendo minha, desde que, é claro, eu não tenha tomado esse carro de ninguém. Passemos a ser mais precisos.
Queremos determinar a justiça sobre a posse de um determinado bem X. [9] Vamos também exigir que o bem X seja de fato escasso, pois do contrário a própria noção legal de posse passa a não fazer sentido, já que bens não escassos, como as ideias por exemplo, podem estar em posse de uma infinidade de pessoas sem danos ou alterações ao bem original. Assim sendo, o bem X só pode ser controlado simultaneamente por um número limitado de pessoas. Suponhamos que ele esteja sobre a posse de um grupo de pessoas, que denotaremos por A e que outro grupo, digamos, B, reivindique essa posse. Quem tem direito ao controle exclusivo de X? Uma hipótese já pode ser descartada de antemão, a saber, se B reivindica X apenas por declaração verbal sem nunca ter tido um elo objetivo com X, pois se pudéssemos ter propriedades apenas por decretos, então jamais iríamos resolver conflitos, mas sim perpetuá-los, sistematizando-os legalmente no convívio em sociedade. Uma norma de delimitação por decreto verbal não atende ao propósito último da lei que é o de eliminar os conflitos.
Suponhamos então que a reivindicação de B se dá argumentando que, ao contrário de um mero decreto, ele teve um elo objetivo com X, assim como A o tem. O que deve ser feito a fim de determinar a propriedade de X? Novamente, precisamos nos ater à questão dos conflitos e distinguir quem é que teve o primeiro uso do bem X. Uma norma que visa resolver conflitos não pode ser consistente com as éticas retardatárias, dando privilégios de uso a quem tomou posse dos bens depois do usuário original. Com efeito, qualquer regra que fizesse com os que vieram depois, ou seja, aqueles que de fato não fizeram algo com os bens escassos, tivessem tanto ou mais direito quanto os que chegaram por primeiro, isto é, aqueles que fizeram algo com os bens escassos, então literalmente ninguém teria a permissão de fazer nada com nada, já que teriam de esperar pelo consentimento de todos os que ainda estivessem por vir antes de fazer o que quisessem. Se B fez uso posterior a A do bem X, sem o consentimento de A, então ele não pode ser proprietário de X, uma vez que uma tal regra, se universalizada, impossibilitaria o uso de X, também instaurando o conflito em sociedade. Em outras palavras, B, neste caso, seria classificado como um ladrão.
Resta-nos a última possibilidade de B ter feito o uso de X antes de A. Se assim for, então os papéis se invertem e A passa a ser um possuidor ilegítimo de X. Isto contudo não é suficiente para declararmos que B tem uma justa reivindicação a X, mas apenas que a reivindicação de B é mais justa que A. Pode ocorrer que outro indivíduo, ou grupo de pessoas, digamos, C, reivindique o bem X de B, mostrando, assim como B fez com A, que teve um elo objetivo mais antigo que o de B. Neste caso, C teria uma reivindicação melhor, mas que por si só não garante uma posse justa, pois com efeito, pode ainda surgir outro grupo D comprovando uma apropriação anterior a de C, e assim por diante. Obviamente, esse raciocínio para em um, e apenas um, dos dois seguintes momentos: 1) quando ninguém mais além do possuidor reivindica o bem X; ou 2) quando o bem X foi apropriado originalmente, i.e., retirado de seu estado natural. Em ambos os casos obtemos uma situação isenta de conflitos. E considerando, por abuso de linguagem, um bem abandonado, cujos possuidores anteriores não mais reivindicam sua propriedade, como um bem em “estado natural”, podemos — sem perda de generalidade para fins legais — unificar as análises dos casos 1) e 2) em uma só. Assim sendo, vemos da discussão acima que a posse de um bem escasso X só pode ocorrer isenta de conflitos se ela remonta a uma apropriação original, ou seja, no caso em que ela foi obtida por trocas contratuais voluntárias que formam uma cadeia que tem início em um possessor que retirou o bem o X de seu estado natural para o uso. E dado que a lei visa resolver conflitos, esta é a única posse do bem X legalmente justificável.
Obtemos então a famosa lei da apropriação natural, ou homesteading, que pode ser enunciada afirmando-se que todo homem tem o direito à posse exclusiva de qualquer bem escasso que ele remova do estado que a natureza tem proporcionado e deixado, fazendo para isso uso intencional de seu trabalho. Em poucas palavras, o homesteading diz que a primeira posse determinada a propriedade, i.e., o direito de excluir a posse terceiros ao bem apropriado. Nas palavras do filósofo libertário Hans-Hermann Hoppe:
“Para evitar conflitos desde o início, é necessário que a propriedade privada seja fundada a partir de atos de apropriação original. A propriedade deve ser estabelecida por meio de atos (em vez de meras palavras, decretos ou declarações), porque somente através da ação, que ocorre no tempo e espaço, um elo objetivo (verificável intersubjetivamente) pode ser estabelecido entre uma pessoa específica e uma coisa específica. E somente o primeiro apropriador de uma coisa anteriormente não-apropriada pode adquirir essa coisa e sua propriedade sem conflito, dado que, por definição, como primeiro apropriador, ele não pode ter incorrido em conflito com alguém ao se apropriar do bem em questão, uma vez que todos os outros apareceram em cena apenas posteriormente.”
Estamos agora em posição de determinar a justiça (ou a ausência dela) das posses estatais. São elas legitímas? A resposta é um claro e sonoro “não” e já foi analisada por diversos antropólogos e sociólogos. Exemplos de origens violentas de estados abundam na história antiga. O antropólogo alemão Franz Oppenheimer resumiu o que chamamos de origem exógena do estado pela típica história de um clã de famílias que, pressionado pela escassez de bens e pela queda no padrão de vida, resultante da superpopulação absoluta, resolveu por uma opção pacífica: não guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra. E graças ao processo de produzir bens – ao invés de simplesmente consumi-los – eles passaram a poupar e estocar bens para o consumo posterior. Contudo, sendo que a natureza do homem é como ela é, outras tribos bárbaras passaram a cobiçar os bens acumulados desse clã e iniciou-se aí uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos. O clã voltou à condição inicial de pobreza e com menos capital humano demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente. Os bárbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confortáveis se eles permitissem que o clã continuasse produzindo mas com a condição de que agora os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo periódico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migrações. E é por esse processo de conquista e dominação que Oppenheimer definiu seu conceito sociológico de estado:
“O que é, então, o estado como conceito sociológico? O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores.” [10]
Alguns exemplos bastante ilustrativos disso foram dados pelos arqueólogos Charles Stanish e Abigail Levine da universidade de Chicago. Em artigo publicado em 2011 pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os autores descreveram processos de dominação sucessivas de algumas aldeias que precederam o Império Inca na América do Sul. Os primeiros sinais de guerra remontam a pelo menos a 500 a.C. e, com o aumento populacional, os conflitos foram se intensificando. Já no primeiro ano d.C. a aldeia de Taraco foi invadida, provavelmente por forças de Pukara, outro centro regional da área. Pukara, por sua vez, teve seu status como estado primitivo até cerca de 500 d.C., quando foi absorvido pela Tiwanaku, o estado principal do outro lado da bacia do Lago Titicaca.
Um processo muito similar de um estado inicial surgindo de decorrentes chiefdoms beligerantes foi identificado no vale de Oaxaca do México por um estudo de Kent V. Flannery e Joyce Marcus, dois arqueólogos da Universidade de Michigan, também publicado no PNAS. Por 4.500 anos atrás, havia cerca de 80 aldeias do vale. Com o aumento populacional, um período de guerra intensa se instaurou a partir de 2.450 a 2.000 anos atrás, que culminou com a vitória de uma cidade sobre todas as demais no vale e finalmente com a formação do estado Zapotec.
Dr. Stanish acredita que a guerra era a parteira dos primeiros estados que surgiram em muitas regiões do mundo, incluindo a Mesopotâmia e a China, bem como as Américas. Os primeiros estados, em sua opinião, não foram impulsionados por forças além do controle humano, como clima e geografia, como alguns historiadores têm suposto. Em vez disso, eles foram moldados pela escolha humana como pessoas procuraram novas formas de dominação e novas instituições para as sociedades mais complexas que estavam se desenvolvendo. O comércio era uma dessas instituições de cooperação para a consolidação de grupos mais organizados. Depois veio a guerra que serviu como força de conquista para a formação de grupos maiores, que vieram a ser os protoestados.
Apesar de ser o caso mais frequente, nem só de guerra os estados adquiriram a forma que têm hoje. Com o crescimento de seus territórios, novas formas mais complexas de anexação de territórios foram surgindo. Ao longo da história moderna, abundam exemplos de pactos feitos pelos estados europeus para aquisição de territórios por decreto verbal. Um famoso exemplo é o Tratado de Tordesilhas assinado entre Portugal e Espanha para declarar divisão de posse de terras ainda não exploradas ao longo da América Sul e assim resolver os conflitos de terras após a descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Mais precisamente, o Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras “descobertas e por descobrir” situadas antes da linha imaginária que demarcava 1.770 km a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. Outro exemplo de conquista territorial por decreto é o Tratado da Antártida, um documento assinado em 1 de dezembro de 1959 pelos países que reclamavam a posse de partes continentais da Antártida. Embora sem definir partes da Antártida como território dos países signatários, mas sim como “patrimônio de toda a Humanidade” — um termo que nada significa —, o fato é que o continente foi repartido para posses — ainda que parciais e temporárias [11] — desses países perante uma clara ausência de elo objetivo. Exemplos recentes no Oriente Médio, por exemplo, Israel, também ilustram aquisição territorial por parte de decretos.
No geral, a história territorial dos estados está majoritariamente marcada por aquisições fora da lei. Isto já basta para decretarmos os territórios que eles reivindicam como ilegítimos e os próprios estados como foras da lei. De fato, a apropriação por decreto tem o efeito de privar os indivíduos de se apropriar de terras virgens, o que obviamente configura um crime, visto que a apropriação original é um direito natural. Quem tem o costume de viajar por vias rodoviárias entre cidades ou até estados já deve ter notado a enorme quantidade de terra não trabalhada e não ocupada que está na posse de governos, conhecidas por terras devolutas.
No Brasil há também o famoso exemplo da Amazônia, uma valiosa terra de ninguém que o governo brasileiro reivindica para si de forma completamente arbitrária. Já a apropriação por conquista militar é um roubo, um assalto a mão armada em escala geográfica, sendo obviamente também uma ilegitimidade.
O fato é que a imensa maioria do território sob controle dos estados foi na verdade apropriado originalmente pelos seus súditos, que hoje, além de terem apenas um controle parcial da propriedade sobre seus nomes, ainda estão sob constante ameaça armada do estado para darem a ele significativas parcelas dos frutos de seus rendimentos (imposto). E ainda que asseclas do estado tenham também se apropriado por trabalho de terras a mando dos governantes, isso não dá ao estado a propriedade delas pois, como visto acima, o estado está em débito jurídico com seus súditos. Ao contrário do que ocorre hoje, é o estado quem deve ter o uso de suas posses conquistadas legitimamente restringido e aos seus súditos deve ser dado o pleno direito de usufruto de todas propriedades sob seus nomes, até que alguém mostre juridicamente que elas não são legítimas. Vale sempre a máxima do Direito que diz que o ônus da prova é sempre de quem afirma. Em outras palavras, todos os cidadãos pacíficos devem ter o direito inalienável à auto-determinação e portanto à secessão individual, desvinculando todas suas propriedades dos monopólios jurídicos estatais. Em particular, ninguém deve ser obrigado a pagar qualquer tipo de taxa não contratual ao estado e imposto é roubo.
Notas
[1] Visto que originalmente, a constituição americana não concedia ao governo federal o poder de cobrar imposto de renda, ainda hoje há um amplo debate nos EUA sobre a legitimidade da coleta do Imposto de Renda. Foi apenas com a 16ª emenda que esse poder foi concedido ao estado americano, mas tal emenda nunca foi adequadamente ratificada. Segundo o economista Peter Schiff, filho de Irwin, no seu artigo em protesto pela morte de seu pai encarcerado:
“meu pai sempre foi mais conhecido por sua inflexível oposição à legalidade do Imposto de Renda, postura essa que levou o governo federal a rotulá-lo como um “manifestante tributário”. Meu pai não era anarquista e, sendo assim, admitia uma tributação moderada e objetiva. Ele acreditava que o governo tinha uma função importante, porém limitada, em uma economia de mercado. Ele, no entanto, se opunha à ilegal e inconstitucional imposição de um confisco da renda pelo governo federal, no forma do Imposto de Renda.”
Por sua cruzada anti-imposto de renda, Irwin Schiff faleceu na condição de prisioneiro político americano no dia 16 de outubro de 2015, aos 87 anos de idade, cego e algemado a uma cama de hospital dentro de um quarto de UTI vigiado por agentes armados do estado.
[2] Para mais detalhes sobre isso, veja meu artigo “Da Natureza do Estado à Cooperação Pacífica Por Segurança e Ordem”. Lá são fornecidos exemplos de arranjos privados de ordem e justiça na história, além de uma análise econômica de sistemas de produção privada de segurança.
[3] Para argumentos no sentido oposto, ou seja, da possibilidade de uma sociedade sem estado poder prosperar e se defender do surgimento de máfias governantes, veja esse texto de Robert Murphy.
[4] Na parte I do livro III da sua obra Tratado da Natureza Humana, Hume escreveu:
“Em todo sistema de moral que até hoje encontrei, sempre notei que o autor segue durante algum tempo o modo comum de raciocinar, estabelecendo a existência de Deus, ou fazendo observações a respeito dos assuntos humanos, quando, de repente, surpreendo-me ao ver que, em vez das cópulas proposicionais usuais, como é e não é, não encontro uma só proposição que não esteja conectada a outra por um deve ou não deve. Essa mudança é imperceptível, porém da maior importância. Pois como esse deve ou não deve expressa uma nova relação ou afirmação, esta precisaria ser notada e explicada; ao mesmo tempo, seria preciso que se desse uma razão para algo que parece totalmente inconcebível, ou seja, como essa nova relação pode ser deduzida de outras inteiramente diferentes.”
HUME, David. Tratado da Natureza Humana. Tradução de Débora Danowiski. Livro III, Parte I, Seção II. São Paulo, Editora UNESP, 2000, p. 509
[5] Há contudo algumas diferenças importantes na teoria de ambos do estado de natureza. Nesse sentido, Locke se opõe a Hobbes e Filmer, que julgavam que o estado de natureza é a-social e pré-moral, pois nele os homens não estariam submetidos a lei alguma. Para Locke, não apenas a sociabilidade é natural aos homens (não há, segundo ele, existência humana que não seja social) mas também existe uma lei que limita as ações no estado de natureza e cada indivíduo exerce um poder de julgá-la e executá-la com respeito aos demais.
[6] LOCKE, John. 1993a [1690]. Two Treatises of Government. Ed. Peter Laslett. Cambridge: Cambridge Univ. Press. Trad. de Júlio Fisher: Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998. xiii.149; trad. modificada.
[7] Note contudo a flagrante contradição lógica nisto: um monopólio forçado da segurança e da justiça jamais poderá garantir a propriedade privada, pois, barrando a entrada de concorrentes, ele vai arbitrar unilateralmente e sem restrições o preço de seus serviços que terão que ser obrigatoriamente pagos. Isso significa que ele, por definição mesmo, já inicia todo o processo roubando os cidadãos. Assim, um protetor monopolista é sempre um expropriador, uma contradição em termos. Nas palavras de Walter Block, em “National Defense and the Theory of Externalities, Public Goods, and Clubs”:
“Argumentar que um governo cobrador de impostos pode legitimamente proteger seus cidadãos contra agressão é cair em contradição, uma vez que tal entidade inicia todo o processo fazendo exatamente o oposto de proteger aqueles sob seu controle.”
[8] No artigo “Por que devemos rejeitar a política” eu discuto o fracasso e a imoralidade da política partidária e dos meios políticos em geral.
[9] Para uma outra abordagem para a justificação do homesteading, utilizando o conceito de Ética da Argumentação, veja o meu artigo “A ética argumentativa hoppeana”.
[10] Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926) p. 15.
[11] As posses previstas no Tratado Antártico se limitam a fins pacíficos, com ênfase na atividade científica, sendo vedada a realização de explosões nucleares e o depósito de resíduos radioativos. O Tratado determinou que até 1991 a Antártida não pertenceria a nenhum país em especial, embora todos tivessem o direito de instalar ali bases de estudos científicos. Na reunião internacional de 1991 os países signatários do Tratado resolveram prorrogá-lo até 2041.
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2019.01.05 18:57 ssantorini Essa história de califado europeu não vai acontecer, e se tem algum culpado nessa história são os esquerdistas, não os muçulmanos.

Imigrantes sempre foram maioria entre os grupos que vivem marginalizados em favelas, subúrbios ou "bocadas", e acabam se envolvendo na malandragem, formando quadrilhas, gangues e máfias. Sempre foi assim. Nova York no início do século XX mostra isso: italianos e judeus eram a maioria dos gângsters. No século XIX eram os irlandeses. Na segunda metade do século XX, os hispânicos passaram a ser maioria entre gângsters e máfias em geral, seja em Nova York, Los Angeles ou Miami.
Essa é uma tendência mundial: imigrantes inicialmente ficam marginalizados em guetos separados, boa parte deles entra para a malandragem (não a maioria). À medida que passam as gerações, eles se integram melhor à economia, à cultura e à sociedade do país anfitrião.
Mas para que isso aconteça, é necessário que as forças da lei e os políticos não os "favoreça" nem conceda nenhum tipo de privilégio aos mesmos. Essa é talvez a única "novidade" com os imigrantes muçulmanos na Europa.
Por alguma razão ainda a ser esclarecida no futuro, essa praga de esquerdismo progressista, marxismo cultural, socialismo fabiano, politicamente correto, cuckismo ou seja lá qual nome você queira dar, entrou em moda na política da maioria dos países da Europa Ocidental. Provavelmente o estado de bem-estar social implantado nos anos 50-60 garantiu a políticos de esquerda muitos votos, lhes dando folga e tranquilidade pra introduzirem todo tipo de experimento social que satisfizesse seus fetiches ideológicos. Na falta de problemas sérios pra enfrentarem (a Europa ocidental é rica), eles começaram a buscar novos problemas e novas sarnas pra se coçarem, porque esquerdismo sem problematização perde a razão de ser, igual o Agente Smith sem Neo em Matrix. Esses esquerdistas acharam por bem transformar diversas minorias em "oprimidos" oficiais e sinalizar virtude com eles, pra se sentirem legais, ganharem ibope e reconhecimento (vaidade pessoal) e terem um inimigo pra combater (o patriarcalismo branco heteronormativo e a cultura judaico-cristã), pois isso deixa as pessoas mais "vivas", achando que estão fazendo parte de algo maior, de uma cruzada pelo Bem, e isso é bom e estimulante para a vaidade pessoal.
Pois bem, os imigrantes muçulmanos ganharam o status de "oprimidos", então passaram a ter vários privilégios. Através da aplicação parcial e seletiva das leis, os malandros dentre eles (que são minoria) passaram a ter mais liberdade de ação sem que a polícia e as leis os incomode tanto, ao contrário dos imigrantes de outrora em outros locais (Ex: irlandeses, italianos e hispânicos na América). É uma aplicação seletiva da lei, permeada por ideologia vitimista e "multiculturalista", que acaba deixando os malandros dentre eles mais livres para praticarem coisas que seriam intoleradas em pessoas comuns.
(Algo parecido ocorreu com os índios no Brasil).
Isso explica esses relatos de non-go zones, crimes cometidos por imigrantes e etc.
São malandros que estão se aproveitando de uma "proteção" e um "guarda-chuva" de políticos e burocratas esquerdistas pra meterem o louco. Quando confrontados ou reprimidos, eles dão carteirada com a "identidade" muçulmana, usando-a como desculpa para seus crimes ou malandragens, pois sabem que os idiotas úteis de esquerda os apoiarão. Mas esses malandros são uma MINORIA dentre os imigrantes muçulmanos, a maioria deles é séria, trabalhadora e ordeira (como os outros imigrantes de outrora em outros locais).
Conclusão 1: o verdadeiro culpado não é a imigração muçulmana, são os esquerdistas e suas ideologias "progressistas".
Conclusão 2: uma minoria de malandros e escroques, com tendência ao banditismo, se aproveita das políticas de "tolerância", multiculturalismo e identidade esquerdistas para meterem o louco e depois usarem a "identidade" muçulmana como carteirada e serem melhor tratados pelo sistema legal, político e social do país.
Conclusão 3: a tendência é que as novas gerações descendentes desses imigrantes se secularizem, seguindo uma versão mais prática, secular e tolerante do islã, ou abandonando a religião. Uma minoria de fanáticos persistirá e continuará criando problemas, mas a população irá encher o saco e eleger políticos de extrema-direita, que irá dar um fim nesse "cuckismo" esquerdista idiota e reequilibrar as coisas. As chances da Europa virar califado são próximas de zero.

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2018.10.30 17:05 maciota O mercado de caridade está morrendo e a Blockchain é o salvador

Ao olhar através do vidro
Quando foi a última vez que você doou dinheiro para alguma instituição de caridade e deu um tapinha nas próprias costas, pensando que seus US $ 10 fizeram um excelente trabalho? O que provavelmente nunca aconteceu. E quando foi a última vez que você olhou para o mercado de financiamento coletivo sem se lamentar pelo que se tornou?
O Financiamento Coletivo não é o que costumava ser. Poucas pessoas param para pensar por que há tanta miséria neste mundo quando há um mercado de caridade de US $ 800 bilhões e constantes aumentos no mercado de crowdfunding, quando existem maneiras de resolver seus principais problemas. As razões para a estagnação em curso são simples - E porque o dinheiro gasto em caridade não está sendo rastreado adequadamente, deixando as pessoas esperando que as curtidas no Facebook alimentem os pobres na África e o mercado de crowdfunding simplesmente carece de desenvolvimento sustentável e a responsabilidade adequada.
A base de muitos projetos responsáveis ​​e nobres atualmente é o mercado de Financiamento Coletivo. E a verdade é que ele precisa de uma boa reformulação. Na verdade, ele realmente precisa de uma solução estável e sustentável, ou uma plataforma, que permita aos projetos arrecadar fundos de forma responsável e que os doadores vejam os resultados de suas doações por meio da transparência e prestação de contas por parte dos projetos que estão dispostos a ajudar. Existem poucas alternativas no momento mas a recente onda de inovações através da blockchain que estamos vivendo deu esperança para algumas soluções. A imutabilidade e o vasto potencial de desenvolvimento de infraestrutura que a blockchain oferece deu origem a alguns projetos, um deles o da W12 (https://tokensale.w12.io/), que ao associar-se ao mercado de caridade, oferece uma plataforma que funciona como uma infraestrutura para milhares de pessoas e projetos para terem suas causas colocadas sob os olhos atentos de um objetivo diligente e um sistema de rastreamento de fundos.
A Essencia de Tudo
Certamente, ter uma boa plataforma que hospede organizações e forneça as ferramentas necessárias para operar é bom. Mas o que é mais importante é conquistar a confiança do público. Ao contrário das plataformas centralizadas como organizações e bancos, que têm muitas lacunas para incorrer em fundos, a blockchain automaticamente elimina intermediários, comissões e outros desafios que impedem a transferência ininterrupta e desinibida de fundos. Só isso já compra confiança, mas a W12 deu um passo adiante em sua tentativa de ajudar os projetos criando seu próprio mainframe tecnológico baseado em um dos roteiros de metas mais detalhados disponíveis atualmente (https://tokensale.w12.ioW12-en.pdf). E isso cria espaço para pensar que o W12 está realmente trabalhando em uma plataforma para uma geração completamente nova de financiamentos coletivos.
Pode-se perguntar como o W12 busca adquirir a confiança dos usuários e atraí-los para os projetos colocados em sua plataforma. Falaremos mais sobre isso um pouco mais tarde, mas nossa base é sólida, pois se baseia na única coisa de que todos os projetos dependem e na única coisa pela qual eles cumprirão suas promessas - o dinheiro.
O protocolo W12 consiste em modelos para contratos inteligentes e uma rede de oráculos, que monitoram a implementação das fases do roteiro de metas dos projetos colocados na plataforma, sendo esta a única maneira de o projeto receber o dinheiro que consegue arrecadar através do financiamento coletivo. Como afirma a equipe de projeto repleta de estrelas com consultores de empresas de ponta, a tecnologia empregada pela W12 reduz os riscos, elimina a necessidade de intermediários, reduz custos, protege contra golpes e melhora a transparência nos mercados de Caridade, ICO, STO, Financiamentos Coletivos, entre outros.
O projeto tem um sólido modelo de negócios, já que a W12 cobra uma comissão por transações de usuários do protocolo através do uso de seu token ERC-20 W12. Quanto mais Tokens W12 forem usados ​​nas transações, menor será a comissão. Além disso, as corretoras e carteiras embutidas permitem que os projetos colocados na plataforma distribuam seus tokens para os detentores de várias contas de usuários do ecossistema. O modelo é bastante reminiscente de uma escala de classificação com proprietários de contas premium, estes tendo a capacidade de receber os tokens de centenas de projetos por suas contribuições.
Aplicações em nosso mundo
Por sua própria natureza, os projetos buscam cumprir metas, e o financiamento coletivo é um modo de fazer isso. Mas as vagas garantias que os usuários têm de aceitar em uma vã tentativa de se distanciar dos golpes diminuíram e levaram a uma queda no mercado de crowdfunding. Isso leva à conclusão lógica de que o problema não está nos projetos em si, mas na base atuando como sua infraestrutura, a saber: o próprio mercado de financiamento coletivo. Se uma estrutura que precisa ser reconstruída e projetos pudessem captar recursos, muitos mercados receberiam um impulso muito necessário, por exemplo, o mercado de caridade.
Todos nós queremos ver o impacto que nossas doações têm sobre as vidas lá fora, mas 96% dos projetos nunca atingem nenhum dos principais marcos que prometem. Como mais de 50% dos fundos de caridade não chegam aos destinatários, centenas de bilhões de fundos são perdidos. Contando com o protocolo W12, como afirma a equipe do projeto, cada participante poderá monitorar e controlar os fundos, bem como avaliar o impacto da contribuição no caso de projetos de caridade, por exemplo. Realmente parece um dos poucos casos reais de aplicação de contratos inteligentes e tecnologias blockchain na vida com influência positiva.
Se a confiança pudesse ser garantida, a única maneira de fazê-lo seria certificando-se de que o dinheiro doado aos projetos seria gasto com os propósitos pretendidos ou devolvido aos doadores. Aparentemente, o W12 também levou isso em consideração, uma vez que promete devolver os fundos caso um projeto falhe em qualquer estágio de seu desenvolvimento.
Essa abordagem se aplica a qualquer um dos projetos colocados na plataforma, pois a única maneira de receber os fundos é cumprir suas promessas e realmente fazer algo, seja fabricando um produto, prestando serviços ou mudando o mundo para melhor.
Sim’s e Nao’s
Muitos falam de conquistas e hype como os principais pontos de sucesso para um projeto na indústria de blockchain mas a realidade diz o contrário. Se um projeto não tem um produto real e funcional com aplicações no mundo real, então seria um desperdício até mesmo ler sobre ele. O projeto W12 tem uma blockchain funcional é um produto que já pode ser testado no modo de demonstração com tokens de teste. A equipe também promete aplicativos móveis que permitiriam aos doadores rastrear suas doações em tempo real e obter feedback das pessoas que seu dinheiro realmente ajudou, como mensagens e e-mails com gratidão como um toque humano adicional. Eles também construíram o mercado interno, e o MVP (https://test-network.w12.io/?utm\_source=landing\_page), seu código é sólido (https://github.com/w12-platform), e tambem já tem contratos com dezenas de projetos (https://w12.io/?utm\_source=landing\_page) prontos para começar a vender seus tokens na plataforma.
A popularidade também é importante, por isso a W12 construiu 20 comunidades internacionais ativas com mais de 90.000 participantes e recebeu cerca de 200 avaliações em vários idiomas, a maioria das quais, positiva. O projeto W12 também ganhou reconhecimento, conquistando o primeiro lugar e melhor projeto de ICO no World Blockchain Forum em Nova York, foi o finalista da Icorace na Suíça depois de ser selecionado por um júri de 140 projetos de ICO, e a W12 foi observado por especialistas do Vale do Silício no Blockchain Economic Forum em San Francisco.
Ainda assim, transparência é fundamental na construção da confiança, algo que é fornecido pela blockchain é reforçado pelo fato de que o W12 garante aos doadores que seus fundos podem ser devolvidos em caso de falha do projeto, o que significa que não seria lucrativo para um golpe estar na plataforma e perder tempo e dinheiro para terminar com nada. O outro fato que ajuda a construir a confiança no W12 é que ele distribui o dinheiro para projetos com metas realmente comprovadas, estas são verificadas por uma rede de oráculos.
Mas nem tudo é açúcar e tempero e tudo é legal, porque a W12 tem um número de concorrentes como Philator e Giveth.io, ambos com suas próprias ofertas bastante semelhantes. Embora seja verdade que o W12 possui vantagens consideráveis ​​em relação a muitos projetos, dentre estes um conjunto mais amplo de recursos, também sabemos que ainda há um longo caminho pela frente até que a base necessária de popularidade e confiança realmente comece a gerar benefícios.
Outro ponto a ser notado que lança algum mistério no projeto é o conceito base não comprovado de seu funcionamento e as promessas de reivindicar uma porção significativa do mercado em 5-6 anos com sua solução. Tais afirmações podem parecer especulativas, mas é disso que a maior parte do mercado de criptografia depende de qualquer maneira.
Economia de Tokens
Sem uma economia abrangente, nenhum projeto pode valer seu sal. E a W12 é a Salt Lake City quando se trata disso, já que seus Tokens W12 permitem que os usuários comprem os tokens de qualquer projeto colocado na plataforma W12. O Token W12 será usado como combustível em uma rede descentralizada de oráculos. Os clientes precisarão de tokens W12 para incentivar os oráculos, enquanto os oráculos precisarão de tokens W12 para confirmar a execução de contratos digitais e receber recompensas da rede.
Dados os períodos de congelamento dos tokens para o time e a oportunidade de obter os tokens de dezenas de projetos na plataforma, o que é um aumento considerável na atratividade dos Tokens da W12 para serem adições de portfólio a longo prazo. E embora o preço da ETH esteja agora em uma baixa decepcionante, a W12 só ganha com isso, sendo seu preço simbólico fixado, o que significa que agora é possível comprar o dobro de Tokens W12 com o mesmo valor que quando a ETH estava mais caro.
Calculo
Com o desejo de criar uma plataforma de financiamento coletivo sustentável e bem controlada no futuro, e seu objetivo de abranger não somente o mercado de caridade de US $ 800 bilhões, sua tecnologia operacional e muitas parcerias em andamento, a W12 parece ser uma das melhores opções a serem adicionadas a portfólios para longo prazo . É também um meio puramente humano de ajudar o mundo, ajudando os projetos que querem torná-lo um lugar melhor através do desenvolvimento de seus produtos e serviços.
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2018.07.11 18:24 DivinaNunato "De volta ao futuro" guerra comercial carece de visão Reagan

WASHINGTON (Reuters) - A guerra comercial americana "De volta para o futuro" não tem a visão de Ronald Reagan. O presidente Donald Trump está usando as táticas dos anos 80 para atingir a China com tarifas. O Gipper fez o mesmo para conter chips, computadores e TVs japonesas. Mas Reagan também ajudou a lançar as negociações globais que criaram a Organização Mundial do Comércio.
Trump gosta de se comparar favoravelmente a Reagan, que era presidente quando o ex-astro do reality show ganhou fama na cena imobiliária de Nova York. Sua administração adotou uma tática comercial favorita de Reagan - Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974 - para punir a China por roubo de propriedade intelectual e transferências forçadas de tecnologia. A lei permite que o presidente imponha unilateralmente tarifas em casos de violações de acordos comerciais ou práticas comerciais desleais.
A administração de Reagan lançou 49 sondas da Seção 301, muitas visando o Japão, o bicho-papão comercial do dia. Uma investigação de 1985 sobre as exportações japonesas de semicondutores levou a um acordo de referência no ano seguinte, segundo o qual o país concordou em não depositar chips nos Estados Unidos e estabelecer uma meta de 20% de seu próprio mercado para os produtores americanos. Em 1987, Washington impôs uma tarifa de 100% sobre computadores japoneses, TVs e ferramentas elétricas, depois de acusar Tóquio de violar o acordo com as chips.
Autoridades de comércio dos EUA na época disseram que o Japão tinha muito em jogo para não admitir. Robert Lighthizer, que foi vice-representante comercial dos EUA por um tempo sob Reagan e ocupa o cargo principal agora, faz um argumento semelhante sobre a China hoje. Mas o Japão contava com os Estados Unidos por segurança contra a China e a Coréia do Norte e acabou cedendo a várias exigências dos EUA. Hoje, Pequim está desafiando militarmente a América no Mar do Sul da China e não mostra sinais de recuar na guerra comercial.
Essa não é a única diferença. Enquanto o governo Reagan visava o Japão, também ajudou a lançar as negociações comerciais da Rodada Uruguai em 1986. Essas negociações amplas levaram à criação da OMC em 1994 com um mecanismo de solução de controvérsias projetado para reduzir a necessidade de acordos unilaterais. ações comerciais.
Trump ridicularizou a OMC como uma "catástrofe" e sua administração está aumentando as tarifas. A inevitável retaliação estrangeira já está prejudicando os produtores de soja, fabricantes de automóveis e produtores de bourbon. Ao empunhar paus sem cenouras, o presidente não está fazendo nenhum favor dos exportadores dos EUA.
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2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
URL: http://ift.tt/2uO9Icf
Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
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2017.08.03 18:27 feedreddit Dois anos depois, Congresso conclui o plano das elites ao proteger Temer: terminou a sangria

Dois anos depois, Congresso conclui o plano das elites ao proteger Temer: terminou a sangria
by Glenn Greenwald via The Intercept
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Há pouco menos de um ano, um dos espetáculos políticos mais humilhantes que eu já vi aconteceu durante nove horas em Brasília. Na Câmara dos Deputados – casa cuja maioria dos membros estão envolvidos em investigações – um corrupto atrás do outro se postou diante das câmeras de televisão e declararam triunfalmente que sua consciência, sua religião, seu Deus, suas crianças, sua devoção a Jerusalém, a memória de suas mães, seus pastores, a pureza de suas almas, exigiam que eles punissem a corrupção retirando a Presidente eleita Dilma Rousseff de seu cargo.
Imagine a caricatura mais grosseira de um moralista em sua exuberante hipocrisia – um sacerdote que deixa a orgia semanal no prostíbulo de fé para ir diretamente à missa de domingo, ralhar contra os pecadores levantados do inferno – e você terá uma justa imagem da maioria dos que se pavoneavam ao púlpito naquele dia. O sebo que sai dos seus poros é palpável. Esses são os homens que anularam uma eleição nacional e agora governam o quinto país mais populoso do planeta.
Photo: Eraldo Peres/AP
Com um significado simbólico que não poderia ser imaginado por qualquer roteirista de cinema, aquele festival vulgar foi presidido pelo deputado Eduardo Cunha, um chefe de quadrilha do crime organizado atuando como legislador. Logo depois de ter planejado a queda de Dilma – que as elites da mídia nacional se unificaram para dizer que era baseada em uma legítima preocupação com a corrupção – Cunha foi preso, acusado de suborno, lavagem de dinheiro, intimidação de testemunhas e crime organizado. Em resumo, a classe política e os barões da mídia – a nata da corrupção – destruíram o país, efetiva e deliberadamente revertendo o resultado das urnas de 2014, insistindo que sua alta ética e o solene respeito pela lei não tolerava os artifícios econômicos banais que Dilma empregou para fazer a economia parecer mais forte do que realmente era. Não existem palavras para descrever a envergadura da fraude que foi todo aquele espetáculo.
Mas agora – precisamente ontem – eles mesmos deixaram clara a verdadeira natureza de seus atos e seu caráter. A pessoa que eles promoveram para governar o país, o Vice-Presidente Michel Temer – um tecnocrata de carreira medíocre – está se afogando em escândalos de corrupção desde que assumiu. Há dois meses foram reveladas gravações de Temer endossando pagamentos de propina, feitos pelo magnata dos frigoríficos Joesley Batista, a inúmeras testemunhas, incluindo seu colega de legenda Eduardo Cunha, para comprar seu silêncio.
Pense sobre isso: no país que fingiu estar tão moralmente ofendido pela manobra orçamentária de Dilma que precisou simplesmente derrubá-la do cargo, todos puderam escutar o Presidente empossado aprovando o pagamento de propinas para garantir o silêncio de testemunhas. As gravações foram reproduzidas na televisão.
Todos escutaram Temer, em sua própria voz, há poucas semanas, participando em crimes flagrantes. Ele foi imediatamente indiciado por Rodrigo Janot, Procurador da República, tornando-se o primeiro Presidente a ser formalmente denunciado por crimes comuns no exercício do mandato.
Um mês depois, surgiram evidencias de que Temer recebeu pessoalmente fartas propinas, com a revelação de um vídeo onde um de seus aliados mais próximos corre com uma mala cheia de dinheiro, após Temer determinar o pagamento de propinas. Como pode um país – em especial onde a elite passou um ano fingindo estar escandalizada com pequenas manobras orçamentárias – continuar sendo liderado por alguém que foi visto e ouvido recebendo propinas e silenciando testemunhas?

Em Brasília, tudo é possível. Ontem, a mesma Câmara dos Deputados que no ano passado votou pelo impeachment de Dilma, teve que decidir se suspendia Temer e o levava a julgamento por corrupção. Por um placar de 263 a 227 votos, os deputados se recusaram a fazê-lo, assegurando que Temer permaneça no poder. A votação de ontem foi presidida pelo sucessor de Cunha, o deputado Rodrigo Maia, do DEM (Democratas); Maia, é claro, está fortemente envolvido nas investigações sobre a corrupção no país.
Os mesmos pomposos deputados de direita e de centro que doze meses atrás se disfarçaram, sem nenhum pudor, com os trajes da ética, da religião e da moralidade se juntaram para garantir que seu criminoso de estimação, que governa o país, não sofra qualquer consequência. Agora ele não poderá sofrer as acusações até que deixe o cargo.
Com um simbolismo quase tão potente quanto o de Cunha presidindo o impeachment de Dilma, os votos dos deputados foram comprados por Temer usando dinheiro público. O Presidente passou os últimos dois meses fisgando, um a um, os deputados para dentro do Jaburu para dar-lhes um banho de generosidade até que eles aceitassem bloquear qualquer investigação. Este é o homem para quem as elites da mídia, em nome da luta contra a corrupção, conscientemente deram o poder. A piada é tão clara quanto trágica.
Diferentemente do que aconteceu no ano passado, quando queriam ser o centro das atenções, dessa vez eles correram como baratas para se esconder sob os armários da cozinha. Sabendo que quase todo o país (com exceção das oligarquias) odeia Temer e quer que ele caia – ele tem literalmente 5% de aprovação – a maior parte dos deputados fez sua sujeira da maneira mais envergonhada e furtiva possível. Poucos se dispuseram a falar em defesa de Temer. Rastejavam ao microfone quando seus nomes eram chamados e davam seu voto de propina com a maior discrição possível.
Além de mostrar ao mundo a metástase que continua crescendo no coração da classe política brasileira – que tipo de elite política decide deixar no cargo um Presidente flagrado em gravações aprovando propinas? – a votação de ontem derrubou de uma vez por todas as máscaras dos reais motivos pelos quais Dilma foi afastada.
Ao contrário do roteiro enganoso criado e disseminado pelos bem-pagos propagandistas da elite da mídia, o impeachment tinha dois, e apenas dois, motivos: 1) proteger a classe política das investigações sobre a corrupção através do empoderamento das figuras mais corruptas, permitindo que eles estancassem a investigação, e 2) servir aos interesses dos plutocratas domésticos e dos financistas internacionais, “reformando” programas sociais voltados aos mais pobres em nome da “austeridade”.

O aspecto mais marcante dos últimos dois dramáticos anos na política é que o áudio de Jucá – outro dos aliados mais próximos de Temer – no qual ele descreve claramente os reais motivos e objetivos do afastamento de Dilma, foi revelado em meio à crise do impeachment. Remover Dilma, disse Jucá pensando que falava em segredo, permitiria um “pacto nacional” – endossado pelo STF, a mídia corporativa e os militares – através do qual a investigação seria liquidada, e o país poderia seguir em frente.
Depois da revelação desta gravação comprometedora, Jucá teve que renunciar ao Ministério do Planejamento, que havia recebido de Temer; mas sua renúncia tece curta duração, porque todos – juízes, generais, e apresentadores dos telejornais – sabiam que o enredo que ele descreveu realmente era aquele que todos haviam assinado quando removeram Dilma. Logo depois, Jucá se tornou o líder do governo de Temer no Senado. E o enredo que ele descreveu tão perfeitamente – para liquidar as investigações e proteger e dar poder aos criminosos – tinha sido seguido à risca, culminando na votação de ontem para proteger o Criminoso Supremo.
Alguns meses atrás, o mesmo congresso que fingiu indignação com a manobra orçamentária de Dilma aprovou leis para enfraquecer as investigações sobre a corrupção, e agora há rumores de que políticos corruptos poderão processar o Procurador que os indiciou. Exatamente como nos Estados Unidos – onde as únicas pessoas que vão para a prisão por crimes de guerra são aquelas que os expõem – com raras exceções, as únicas pessoas que pagarão um preço pela corrupção sistêmica do Brasil são aqueles que a expuseram. Esse era o esquema em todo o percurso da remoção de Dilma, e ninguém sequer se incomoda em negar. Como podem?
Mas o prêmio maior de tudo isso – como sempre – é a recompensa aos oligarcas e a punição aos mais pobres do país. Em uma admissão notável literalmente ignorada pela mídia brasileira corporativa, Temer foi a Nova York em setembro e, falando a um grupo de investidores e a elite da política estrangeira, explicitamente admitiu que o motivo real do impeachment de Dilma foi sua resistência em aplicar uma maior austeridade.
Toda vez que Temer parece estar em risco, a moeda brasileira e o mercado de ações são punidos; quando parece que ele sobreviverá, eles se fortalecem. Isso é porque ele é o instrumento da austeridade. O Ministro da Fazenda de Temer não desperdiçou tempo depois da votação para anunciar que as “reformas” de austeridade que eles estão desesperados para impor serão novamente apresentadas, agora que Temer está a salvo.
Temer é a cria da classe oligárquica brasileira e sua mídia dominada. Ela esteve tão dedicada ao seu empoderamento – e também à coalização de direita que perdeu múltiplas eleições mas, apesar disso, magicamente passou a governar o país através de Temer – que uma de suas mais brilhantes estrelas, Eliane Cantanhêde, igualou a oposição a Temer à traição ao país, dizendo que “o esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil”. Em certo sentido, há uma justiça do karma aqui: o Brasil tem a classe política, e seus líderes corruptos e manchados, que refletem perfeitamente o caráter da elite oligárquica que governou o país com punhos de ferro por décadas.
Mas em um sentido muito mais profundo, o que eles fizeram é uma tragédia difícil de engolir: milhões de seres humanos, nascidos em uma sociedade terrivelmente estratificada, que não tiveram qualquer perspectiva por gerações, finalmente tiveram, durante a última década, um lampejo de esperança, para agora vê-la sendo engolida e extinta pela mesma classe dominante de ladrões e mentirosos, os únicos responsáveis pela eterna situação de desigualdade e miséria para a maioria.
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2017.08.02 12:57 feedreddit The Intercept Brasil completa um ano e planeja crescer mais

The Intercept Brasil completa um ano e planeja crescer mais
by Glenn Greenwald via The Intercept
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The Intercept Brasil faz aniversário hoje. Em nosso lançamento, em 2 de agosto de 2016, explicamos nossos propósitos e objetivos, observando o “desejo dos brasileiros por formas alternativas de jornalismo e reportagem”. Esse desejo é baseado na cruel realidade de que o país “tem sido dominado por um pequeno grupo de poderosas instituições de mídia, sendo que quase todas elas apoiaram o golpe de 1964 e a subsequente ditadura militar de direita de 21 anos seguidos e que o país continua dominado pelo mesmo grupo de famílias extremamente ricas, ainda responsáveis por essa história”.
Estávamos determinados a ser uma plataforma para vozes, perspectivas e eventos cruciais, que foram deliberadamente ignorados e excluídos pelos maiores meios de comunicação do país. Como dissemos em agosto passado: “Em um país notavelmente diverso e plural, a homogeneidade de propriedade da mídia resultou em um cenário jornalístico que sufoca a diversidade e pluralidade de pontos de vista.”
Um ponto central nessa missão era levar esse tipo de jornalismo a todas as partes do Brasil, além de usar nosso status como veículo de notícias internacionais para publicar o nosso trabalho em português e inglês e, assim, destacar o nossas reportagens sobre o Brasil no exterior. Nós prometemos também usar nossa experiência em reportagens sobre vazamentos para ajudar a promover um clima de proteção e transparência de fontes por meio de denúncias anônimas.
Estamos ainda mais entusiasmados com a oportunidade de trabalhar com outros veículos independentes e contribuir com o espírito de um jornalismo que esteve em falta no Brasil por muito tempo.Consideramos, após um ano, essa missão mais vital do que nunca. Estamos ainda mais entusiasmados com a oportunidade de trabalhar com outros veículos independentes e contribuir com o espírito de um jornalismo que esteve em falta no Brasil por muito tempo. À medida em que a crise política e econômica do país se aprofunda e, uma vez que as eleições de 2018 apresentam uma ampla gama de possibilidades – variando do excitante ao assustador –, a necessidade de um jornalismo agressivo, questionador e verdadeiramente independente será maior do que nunca.
Temos orgulho da talentosa e variada equipe de repórteres, editores e colunistas que reunimos em apenas um ano. Eles produziram uma grande quantidade de investigações exclusivas, de alto impacto e análises perspicazes que ajudaram a moldar o ciclo de notícias, expor a enome corrupção e exigir mudanças.
Na semana passada, nossa investigação das finanças do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, segundo na linha presidencial, forçou o deputado a explicar como ele acabou virando dono de escritórios usados pela Odebrecht e o banco BTG Pactual, fatos antes encobertos. Em maio, a matéria de Cecília Oliveira sobre uma fazenda onde turistas podem ser escravocratas por um dia levou a um acordo de ajustamento de conduta entre a estabelecimento e o Ministério Público. Graças a uma reportagem exclusiva da The Intercept Brasil em janeiro, o Ministério Público ordenou que o governo federal pagasse R$ 10 milhões em indenização a uma tribo indígena violentamente invadida pela Polícia Federal em 2012. O artigo é parte de uma série de 14 matérias produzida em parceria com o site de notícias ambiental norte-americano Mongabay.
Em abril, o Exército brasileiro concordou em acabar com o monopólio da fabricante de armas Taurus no fornecimento de armas de baixo calibre às forças policiais. Os defeitos de fabricação estavam fazendo com que os projéteis disparassem sem que o gatilho fosse puxado e emperrando durante o uso, causando muitas mortes. A investigação do TIB foi a primeira matéria detalhada sobre o assunto, fazendo com que outros veículos também cobrissem o tema.
Uma comissão do Congresso foi instaurada depois de uma matéria exclusiva mostrar, em dezembro de 2016, como uma ferramenta que o governo dizia ser usada para proteger as terras indígenas e reservas ambientais estava sendo usada pela Abin para criar uma megabase de dados para espionar movimentos sociais, sindicatos e outras organizações da sociedade civil.
No ano passado, publicamos duas matérias expondo falhas no cerne de uma importante pesquisa do Datafolha, publicadas pela Folha de S. Paulo: o jornal tentou criar uma falsa impressão de que a maioria dos brasileiros queria Michel Temer como presidente. Os dados reais mostraram que uma grande maioria queria que ele renunciasse. Nossa reportagem sobre o tema — uma das mais lidas da história do Intercept — causaram uma reprimenda do ombudsman da Folha e um reconhecimento de Datafolha que os dados foram apresentados de modo impreciso.
Nossa colunista Ana Maria Gonçalves foi convidada pelo The Martin E. Segal Theatre Center, em Nova York, para escrever e apresentar um monólogo baseado em seu artigo sobre apropriação cultural e o caso de uma mulher branca usando lenços de estilo africano que se tornou viral. Outro escritor, João Filho, aborda a corrupção e a propaganda da grande mídia brasileira em sua coluna semanal, sempre com grande audiência, suscitando discussões sobre a necessidade de regulação da mídia. E a nossa análise dos eventos de notícias mais importantes do Brasil – dos inúmeros casos de corrupção de Temer, greves gerais no país, as medidas cruéis de austeridade, até a condenação criminal de Lula – proporcionou uma perspectiva única e alternativa que reverberou em plataformas de notícias mundo afora.
A reportagem de Helena Borges sobre a reforma da educação foi impactante e teve grande resultado. A investigação das tentativas dos bilionários de direita para impulsionar a privatização da educação por meio de fundações teve grande audiência e as fundações nos pressionaram para encerrar ou mudar a matéria, mas não conseguiram identificar nenhum erro. Após notar que o Ministério da Educação maquiou estatísticas para reduzir as notas das escolas públicas nas avaliações padrão (atendendo ao desejo do governo para privatizar escolas e cortar gastos), a pasta foi obrigada a refazer as estatísticas e dizer que cometeu um “erro”. Quando o Ministério cometeu um” erro “similar, meses mais tarde, Helena foi a primeira a cobrí-lo.
Isso é apenas uma amostra de por que estamos tão entusiasmados com o time de excelentes jornalistas que reunimos no ano passado e pelas oportunidades e mudanças que podem surgir com um jornalismo independente e bem apoiado. Não só estamos mais decididos do que nunca a continuar com o jornalismo que temos feito, mas também estamos dedicados a expandir nossa equipe e nossa cobertura no próximo ano, buscando mais financiamento – de modo que possamos crescer sem perder nossa independência. Estamos trabalhando para garantir novos fundos de organizações dedicadas a uma imprensa livre e independente, bem como planejar uma campanha de financiamento apoiada por leitores para o final deste ano.
Não só estamos mais decididos do que nunca a continuar com o jornalismo que temos feito, mas também estamos dedicados a expandir nossa equipe e nossa cobertura no próximo ano.Estamos realmente agradecidos à nossa crescente audiência por permitir que nosso jornalismo tivesse o impacto que teve. Podemos prometer que o segundo ano de nossa existência será construído com o mesmo espírito de independência jornalística, investigações obstinadas e atendimento aos interesses dos nossos leitores.
Sobretudo, continuaremos a dar voz às comunidades e indivíduos que permanecem excluídos pelos grandes meios de comunicação corporativos do Brasil, fazendo o possível para iluminar o que as forças mais poderosas do país estão deixando no escuro. Para nós, esse tipo de responsabilidade e transparência é o objetivo mais nobre do jornalismo e o mais potente fator para o fortalecimento da democracia.
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2017.06.10 15:44 feedreddit O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA

O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA
by Naomi Klein via The Intercept
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Durante a campanha presidencial, algumas pessoas achavam que os pontos mais abertamente racistas da plataforma de Donald Trump eram apenas uma estratégia para causar irritação, não um plano de ação concreto. Porém, na primeira semana de seu mandato, quando ele vetou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, a ilusão logo foi desfeita. Felizmente, a reação foi imediata: marchas e protestos em aeroportos, greves de taxistas, manifestações de advogados e políticos locais. Por fim, o veto foi considerado ilegal pela Justiça americana.
Esse episódio mostrou a força da resistência e a coragem da Justiça; havia muito o que comemorar. Alguns chegaram a dizer que essa primeira derrota havia disciplinado Trump, que a partir de então seguiria uma rota mais convencional e racional.
Outra perigosa ilusão.
É verdade que muitos dos itens mais radicais da agenda do governo ainda não foram realizados. Mas não se enganem; ele não abandonou seus projetos. Eles estão bem guardados, à espreita, e uma grande crise pode trazê-los à tona.
Grandes choques costumam ser aproveitados para nos empurrar goela abaixo medidas impopulares e antidemocráticas a favor dos grandes empresários que jamais seriam aprovadas em tempos de estabilidade. É a “Doutrina do Choque”, nome que utilizei para descrever esse fenômeno. Ela foi utilizada repetidamente nas últimas décadas, seja por ditadores como Augusto Pinochet ou por presidentes americanos, como no caso do furacão Katrina.
Vimos a Doutrina do Choque em ação recentemente, antes da eleição de Trump, em cidades americanas como Detroit e Flint, onde a falência financeira do município foi usada como pretexto para dissolver a democracia local e nomear “gestores emergenciais”, que declararam guerra aos serviços e educação públicos. O mesmo está acontecendo em Porto Rico, onde a crise da dívida foi a desculpa utilizada para a criação do Conselho de Gestão e Supervisão Financeira, uma entidade que, sem precisar prestar contas a ninguém, tem o poder de implementar medidas de austeridade como cortes previdenciários e fechamento de escolas. A mesma tática está sendo usada no Brasil, onde, após o bastante questionável impeachment da presidente Dilma Rousseff, instalou-se um regime ilegítimo e ferventemente pró-empresariado. Entre as medidas adotadas estão o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e o leilão de aeroportos, usinas de energia e outros ativos públicos, em um verdadeiro frenesi privatizante.
Como escreveu Milton Friedman, muitos anos atrás, “apenas uma crise – real ou presumida – produz mudanças. Quando uma crise ocorre, as medidas adotadas dependem das ideias presentes na paisagem política. Esta é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantendo-as ao alcance da mão até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”. Certos alarmistas estocam comida enlatada e água para o caso de um grande desastre natural; outros estocam ideias espetacularmente antidemocráticas.
Agora, como muitos já perceberam, a história está se repetindo com Donald Trump. Durante a campanha, ele não disse a seus admiradores que iria cortar verbas de programas de fornecimento de alimentos a pessoas necessitadas. Ele também nunca admitiu que iria tentar tirar o plano de saúde de milhões de americanos ou adotar cada uma das medidas sugeridas pelo grupo Goldman Sachs. Não, ele disse o contrário de tudo isso.
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump não fez o menor esforço para dissipar a atmosfera de caos e crise. Algumas turbulências, como o dossiê russo, surgiram contra a sua vontade ou por pura incompetência, mas muitas delas parecem ter sido deliberadamente fabricadas. Em todo caso, enquanto estamos distraídos pelo espetáculo Trump, ávidos por notícias sobre suas supostas crises conjugais ou globos luminosos, seu projeto de concentração de renda segue em frente, metódico e silencioso.
A velocidade das mudanças também contribui para isso. Com o tsunami de decretos presidenciais assinados nos 100 primeiros dias do governo de Trump, logo ficou claro que seus assessores estavam seguindo o conselho dado por Maquiavel em O Príncipe: “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, de forma que, sendo menos saboreadas, causem menos ofensa”. A lógica é simples: é mais fácil resistir a mudanças graduais e contínuas; se as transformações acontecem de uma só vez, a população não consegue se organizar para lidar com todas ao mesmo tempo, acabando por engolir o sapo.
Mas tudo isso não passa de uma versão light da Doutrina do Choque; é o máximo que Trump pode fazer com as pequenas crises que ele mesmo cria. Embora seja necessário denunciar e resistir ao que está sendo feito agora, também deveríamos nos preocupar com o que Trump fará quando puder se aproveitar de uma verdadeira crise. Talvez seja um _crash_econômico, como a crise das hipotecas _subprime_de 2008; ou uma catástrofe natural, como a Supertempestade Sandy; ou então um terrível ataque terrorista, como o atentado a bomba de Manchester. Qualquer uma dessas crises poderia alterar radicalmente a conjuntura política, transformando subitamente o que hoje parece improvável em algo inevitável.
Vamos analisar alguns cenários de choques possíveis, e como eles poderiam ser utilizados para tornar realidade a nociva agenda de Donald Trump.
Policiais se juntam ao público em St Ann’s Square, em Manchester, para observar as flores e mensagens em homenagem às vítimas do atentado de 22 de maio na Manchester Arena. (31 de maio de 2017)
Foto: Oli Scarff/AFP/Getty Images

Choque terrorista

Os recentes atentados em Londres, Manchester e Paris nos dão um indício de como o governo Trump tentaria explorar um grande ataque terrorista contra os EUA em seu próprio território ou no exterior. Depois do terrível atentado a bomba de Manchester, no mês passado, o governo conservador inglês lançou uma campanha feroz contra o Partido Trabalhista e Jeremy Corbyn, por este ter sugerido que o fracasso da “Guerra ao Terror” estaria alimentando o terrorismo. As declarações de Corbyn foram qualificadas de “monstruosas” – uma atitude muito parecida com a retórica “ou vocês estão conosco, ou com os terroristas” usada por George W. Bush após o ataque de 11 de Setembro de 2001. Para Donald Trump, o atentado foi consequência das “milhares e milhares de pessoas que estão entrando em vários países”, embora o terrorista – Salman Abedi – tenha nascido no Reino Unido.
Da mesma forma, logo após o atentado de Westminster, em março 2017, quando um motorista jogou um carro contra uma multidão de pedestres, matando quatro e deixando dezenas de feridos, o governo conservador logo declarou que a privacidade das comunicações digitais era uma ameaça à segurança nacional. A ministra do Interior, Amber Rudd, disse em um programa da BBC que a criptografia de programas como o Whatsapp era “totalmente inaceitável”. Ela afirmou estar negociando a “colaboração” das grandes empresas de tecnologia, para que elas forneçam ao governo um acesso especial a essas plataformas. Depois do atentado da London Bridge, ela voltou a atacar a privacidade na internet de forma ainda mais veemente.
De maneira ainda mais preocupante, depois dos atentados de Paris, em 2015 – que deixaram 130 mortos –, o governo de François Hollande declarou o estado de emergência na França, proibindo manifestações políticas. Estive na França uma semana depois daqueles horríveis acontecimentos e não pude deixar de estranhar o fato de que, embora os ataques tenham sido perpetrados contra os símbolos da vida parisiense cotidiana – um show, um estádio de futebol, restaurantes etc. –, apenas a atividade política nas ruas havia sido proibida. Grandes shows, mercados natalinos e eventos esportivos – alvos perfeitos para futuros atentados – continuaram funcionando normalmente. Nos meses seguintes, o estado de emergência foi repetidamente prolongado. Ele ainda está em vigor e deve durar pelo menos até julho de 2017. Na França, o estado de exceção virou a regra.
Isso foi feito por um governo de centro-esquerda em um país com uma longa tradição de greves e manifestações. Só uma pessoa ingênua acreditaria que Donald Trump e Mike Pence não aproveitariam um ataque terrorista nos EUA para ir ainda mais longe. A reação seria imediata, declarando manifestantes e grevistas que bloqueassem rodovias e aeroportos – os mesmos que reagiram ao veto à entrada de muçulmanos – uma ameaça à “segurança nacional”. Os líderes dos protestos seriam alvo de rigorosa vigilância e jogados na prisão.
Temos que nos preparar para o uso de crises de segurança como pretexto para intensificar a criminalização de grupos e comunidades que já estão na mira do governo: imigrantes latinos, muçulmanos, líderes do movimento Black Lives Matter, ativistas ambientais e jornalistas investigativos. Essa é uma possibilidade concreta. Em nome da luta contra o terrorismo, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, poderia finalmente acabar com a supervisão federal das policias estaduais e municipais, favorecendo a impunidade nos casos de abuso policial contra negros e outras minorias.
E não há nenhuma dúvida de que o presidente se aproveitaria de um atentado terrorista para atacar o Judiciário. Ele deixou isso bem claro ao escrever em sua conta no Twitter, após a suspensão judicial do veto migratório: “Como um juiz pode colocar nosso país em risco? Se algo acontecer, a culpa será dele e do sistema judicial”. Na noite do atentado da London Bridge, no dia 3 de junho, ele foi ainda mais longe: “O Judiciário tem que nos devolver os nossos direitos. Precisamos do veto de entrada como uma segurança extra!” No contexto de histeria coletiva e revolta que se instalaria depois de um ataque terrorista em solo americano, talvez os juízes não tenham a mesma coragem para barrar uma nova proibição à entrada de muçulmanos nos EUA.
Nesta foto tirada em 7 de abril de 2017 pela marinha americana, no Mar Mediterrâneo, o contratorpedeiro USS Porter (DDG 78) lança um míssil Tomahawk contra uma base aérea síria. O bombardeio foi uma retaliação a um terrível ataque com armas químicas realizado naquela mesma semana.
Foto: Mass Communication Specialist 3rd Class Ford Williams/U.S. Navy via AP

Choque bélico

A reação mais exagerada e letal de um governo a um ataque terrorista é se aproveitar do clima de medo para declarar guerra a outro(s) país(es). Não importa se o alvo não tem nenhuma relação com o atentado terrorista em questão; o Iraque não tinha nada a ver com o 11 de Setembro, mas foi invadido mesmo assim.
Os alvos mais prováveis de Trump estão no Oriente Médio, incluindo países como Síria, Iêmen, Iraque e, principalmente, Irã. Outro inimigo em potencial é a Coreia do Norte, sobre a qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que “estamos abertos a todas as opções”, se recusando a descartar a possibilidade de um ataque preventivo.
Os colaboradores mais íntimos de Trump – principalmente aqueles oriundos do setor de defesa – têm diversas razões para apoiar mais ações militares. O lançamento de mísseis contra a Síria em abril de 2017 – realizado sem a aprovação do Congresso e, portanto, ilegal, segundo alguns especialistas – rendeu-lhe a cobertura midiática mais positiva de seu mandato até então. Os assessores mais próximos do presidente aproveitaram para declarar que o ataque era uma prova de que não havia nada de indecoroso nas relações entre a Casa Branca e a Rússia.
Mas há uma outra razão, menos evidente, para usar uma crise de segurança como desculpa para entrar em guerra: essa é a maneira mais rápida e eficaz de forçar um aumento no preço do petróleo, principalmente se o conflito prejudicar o fornecimento global da commodity. Isso traria grandes vantagens para gigantes como a Exxon Mobil, cujos lucros diminuíram drasticamente com a queda do preço desse produto. Feliz coincidência para a Exxon: Rex Tillerson, antigo diretor-executivo da empresa, é o atual secretário de Estado dos EUA. Tillerson trabalhou na Exxon durante praticamente toda a sua carreira – 41 anos; ao se aposentar, ele fechou um acordo com a empresa para receber espantosos US$ 180 milhões.
Além de empresas como a Exxon, talvez o único beneficiado com um aumento do preço do petróleo advindo da instabilidade global seria a Rússia de Vladimir Putin, um país que depende da venda dessa matéria-prima e que tem atravessado uma crise econômica desde a queda dos preços no mercado internacional. A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior de petróleo – depois da Arábia Saudita. Uma alta de preços seria uma boa notícia para Putin; antes de 2014, metade das receitas do Estado russo era proveniente do setor de óleo e gás.
Porém, quando os preços desabaram, a Rússia perdeu centenas de bilhões de dólares, uma catástrofe econômica com sérias consequências para o povo russo. Segundo o Banco Mundial, em 2015, os salários reais caíram quase 10% no país; o rublo perdeu quase 40% de seu valor e o número de pobres subiu de 3 para 19 milhões. Putin tenta manter sua imagem de homem forte, mas a crise econômica o deixa vulnerável.
Também já se falou muito sobre o vultoso acordo entre a Exxon Mobil e petroleira estatal russa Rosneft para a extração de petróleo no Ártico. Putin chegou a se gabar do montante envolvido – meio trilhão de dólares. É verdade que a negociação saiu dos trilhos com as sanções americanas à Rússia; porém, apesar da postura conflitante dos dois países em relação à Síria, é possível que Trump decida suspender as sanções e abrir caminho para a concretização do negócio, o que ajudaria a Exxon a superar seu momento difícil.
No entanto, mesmo se as sanções forem retiradas, ainda haveria outra pedra no caminho do projeto: o baixo preço do petróleo. Tillerson fechou o acordo com a Rosneft em 2011, quando o preço do barril chegou a altíssimos US$ 110. Em um primeiro momento, o consórcio faria a prospecção de petróleo nas águas ao norte da Sibéria, onde a extração seria difícil e cara. Para ser viável economicamente, o petróleo do Ártico teria que vendido a cerca de US$ 100 o barril – ou até mais caro. Portanto, mesmo se as sanções forem suspensas pelo governo Trump, o projeto da Exxon e da Rosneft só valerá a pena se o preço do petróleo estiver suficientemente alto. Consequentemente, qualquer instabilidade que empurre a cotação do petróleo para cima seria do interesse de muita gente.
Se o barril de petróleo ultrapassar a marca dos US$ 80, a corrida desenfreada para encontrar, extrair e queimar combustíveis fósseis vai recomeçar, mesmo se for preciso perfurar nossas calotas polares em derretimento ou extrair petróleo altamente poluente das areias betuminosas. Se isso acontecer, podemos acabar perdendo a nossa última chance de evitar uma catástrofe climática.
Portanto, evitar um conflito internacional e deter as mudanças climáticas são duas batalhas de uma mesma guerra..
Uma tela mostra dados financeiros no dia 22 de janeiro de 2008.
Foto: Cate Gillon/Getty Images

Choque econômico

Uma das marcas do projeto econômico de Trump tem sido o frenesi de desregulamentação financeira, o que aumenta em grande medida o risco de novos choques e desastres econômicos. O presidente americano anunciou que pretende revogar a Lei Dodd-Frank, peça fundamental da reforma financeira implementada pelo governo Obama após o colapso bancário de 2008. Embora não seja rigorosa o suficiente, a lei impede que a especulação desenfreada de Wall Street crie novas bolhas, que, quando explodem, causam novos choques econômicos.
Trump e sua equipe sabem disso, mas os lucros obtidos com as bolhas são sedutores demais para que eles se importem. Além do mais, os bancos nunca foram realmente à falência, e continuam sendo “grandes demais para quebrar”. Trump sabe que, no caso de outra grande crise, teremos outro resgate das instituições financeiras, exatamente como em 2008. O presidente chegou mesmo a decretar a revisão de um mecanismo da Lei Dodd-Frank criado para evitar que o contribuinte pague a conta de um novo resgate aos bancos. Visto a quantidade de ex-executivos do Goldman Sachs no governo Trump, isso é um péssimo sinal.
Alguns membros do governo também veem a crise econômica como uma oportunidade para atacar certos programas sociais. Durante a campanha, Trump seduziu o eleitorado com a promessa de não mexer na Seguridade Social nem no Medicare, o plano de saúde público dos EUA. Mas isso pode ser impraticável devido à grande redução de impostos que vem por aí, embora o governo aplique uma matemática fictícia para argumentar que o crescimento econômico gerado compensaria as perdas. O orçamento que foi proposto já é um primeiro ataque à Seguridade Social, e uma crise econômica poderia dar a Trump um conveniente pretexto para descumprir suas promessas. Em uma conjuntura pintada como apocalipse econômico, Betsy DeVos poderia até realizar seu sonho de substituir as escolas públicas por um sistema de escolas charter e vouchers.
A camarilha de Trump tem uma longa lista de políticas que jamais seriam aprovadas em tempos de normalidade. No início do mandato, por exemplo, Mike Pence se reuniu com o governador do Wisconsin, Scott Walker, que lhe contou como havia conseguido retirar o direito à negociação coletiva dos sindicatos do setor público no estado, em 2011. E qual foi o argumento utilizado para a aprovação da medida? A crise fiscal do governo estadual, o que levou o colunista Paul Krugman, do New York Times, a declarar que “a Doutrina do Choque está sendo aplicada de forma escancarada” no Wisconsin.
Juntando as peças do quebra-cabeça, o cenário fica claro: a barbárie econômica do governo provavelmente não será realizada no primeiro ano de mandato. Ela vai se revelar mais tarde, quando, inevitavelmente, as crises orçamentária e financeira chegarem. Só então, em nome da salvação fiscal do governo – e quem sabe da economia inteira –, a Casa Branca começará a realizar os desejos mais polêmicos das grandes corporações.
Gado pastando perto de um incêndio florestal nas cercanias de Protection, Kansas. (7 de março de 2017)
Foto: Bo RadeWichita Eagle/TNS/Getty Images

Choque ambiental

Da mesma forma que as políticas de segurança nacional e econômica do governo certamente causarão e aprofundarão crises, o foco de Trump em aumentar a produção de combustíveis fósseis, desmontar a legislação ambiental dos EUA e sabotar o Acordo de Paris abre caminho para novos acidentes industriais e futuras catástrofes climáticas. O dióxido de carbono lançado na atmosfera leva cerca de 10 anos para ter um efeito sobre o aquecimento global; portanto, as piores consequências das políticas de Trump só devem ser sentidas quando ele não estiver mais no poder.
Mesmo assim, o aquecimento global já está em um nível tão alarmante que nenhum presidente pode chegar ao fim do mandato sem enfrentar grandes desastres naturais. Donald Trump mal havia completado dois meses na função quando teve que lidar com grandes incêndios florestais no centro-oeste dos EUA. A mortandade de gado foi tão grande que um pecuarista descreveu a situação como “o nosso Furacão Katrina”.
Trump não demonstrou preocupação com os incêndios; não escreveu um tuíte sequer. Porém, quando uma supertempestade atingir o litoral do país, teremos uma reação muito diferente desse presidente que conhece o valor dos imóveis à beira-mar, despreza os pobres e investe apenas em construções para os mais abastados. A grande preocupação é com a repetição do ataque às escolas públicas e à habitação social e do vale-tudo imobiliário que se seguiram ao desastre – o que não é nada improvável, visto o papel central do vice-presidente Mike Pence na elaboração das políticas pós-Katrina.
Mas os grandes beneficiados da era Trump nessa área serão, sem dúvida, as empresas de resgate particular, direcionadas à clientela mais rica. Quando eu estava escrevendo “A Doutrina do Choque”, o setor ainda estava engatinhando, e muitas empresas não sobreviveram. Uma delas era a Help Jet, sediada na cidade queridinha de Trump, West Palm Beach. Enquanto esteve em atividade, a Help Jet ofereceu serviços de resgate VIP para quem pagasse uma taxa de associação.
Quando um furacão se aproximava, a Help Jet mandava limusines para buscar seus clientes, fazia reservas em hotéis cinco-estrelas e spas em algum lugar seguro e despachava-os em jatos particulares. “Sem fila nem multidão; apenas uma experiência de primeira classe que transforma um problema em um feriado”, dizia um dos anúncios da empresa. “Aproveite a sensação de evitar o pesadelo dos planos de evacuação em caso de furacão”, sugeria outra propaganda. Em retrospectiva, parece que a Help Jet, longe de ter superestimado o potencial desse nicho, estava apenas à frente de seu tempo. Atualmente, no Vale do Silício e em Wall Street, os mais abastados e temerosos se preparam para o caos climático e social comprando vagas em abrigos subterrâneos personalizados no Kansas – protegidos por mercenários fortemente armados – e construindo refúgios nas alturas da Nova Zelândia. E, lá, só se chega de jatinho particular, é claro.
O que é realmente preocupante nesse fenômeno da “sobrevivência de luxo” – além da esquisitice da coisa toda – é que, enquanto os ricos criam seus suntuosos refúgios particulares, há cada vez menos investimentos em infraestruturas de prevenção e resposta a desastres que possam ajudar a todos independentemente da renda. E foi exatamente isso que causou tanto sofrimento desnecessário em Nova Orleans depois da passagem do Katrina.
Os EUA estão caminhando cada vez mais rápido em direção a um sistema privado de resposta a desastres. Em estados como Califórnia e Colorado, mais suscetíveis a incêndios, empresas seguradoras oferecem um serviço especial: em caso de incêndio florestal, uma equipe de bombeiros particulares é despachada para aplicar um tratamento antichamas nas mansões dos clientes, deixando as outras à mercê do fogo.
A Califórnia nos oferece uma amostra do que ainda vem por aí. O estado emprega no combate a incêndios mais de 4.500 presidiários, que recebem 1 dólar por hora para arriscar a vida na linha de frente e cerca de 2 dólares por dia no acampamento. Segundo estimativas, a Califórnia economiza bilhões de dólares por ano graças a esse programa – um produto emblemático da mistura entre austeridade, encarceramento em massa e mudança climática..
Migrantes e refugiados se aglomeram perto do local de travessia na fronteira nas proximidades do povoado grego de Idomeni, no dia 5 de março de 2016, onde milhares de pessoas esperam para entrar na Macedônia.
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images

Um mundo de zonas verdes e zonas vermelhas

Com o desenvolvimento de soluções privadas para catástrofes naturais, os setores mais abastados da sociedade têm menos motivos para pressionar o governo por mudanças na política ambiental e evitar um futuro ainda mais catastrófico para a vida na Terra. Isso pode explicar por que Trump está tão determinado a acelerar a crise climática.
Por enquanto, a discussão sobre os recuos da política ambiental de Trump gira em torno de um suposto racha no governo entre os céticos – aqueles que negam as mudanças climáticas, como o próprio Trump e o chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt – e aqueles que reconhecem o fator humano do aquecimento global, como Rex Tillerson e Ivanka Trump. Mas isso é irrelevante. O que todos os assessores de Trump têm em comum é a crença de que eles, seus filhos e seus pares estarão em segurança; que sua riqueza e contatos irão protegê-los do pior. Eles perderão alguns imóveis com vista para o mar, é verdade, mas isso não é nada que não possa ser substituído por uma bela mansão nas montanhas.
Essa despreocupação é uma tendência extremamente inquietante. Em uma era de desigualdade crescente, uma boa parte das nossas elites está se isolando física e psicologicamente do destino coletivo da humanidade. Esse isolacionismo, ainda que apenas mental, permite que os ricos não só ignorem a necessidade de proteger o meio ambiente, mas também se aproveitem dos desastres e do clima de instabilidade para lucrar ainda mais. Estamos indo em direção a um mundo dividido entre “zonas verdes” fortificadas para os ricos e “zonas vermelhas” para o resto. E “zonas negras” – prisões secretas – para quem não estiver satisfeito. Europa, Austrália e América do Norte estão fortificando (e privatizando) cada vez mais as fronteiras para se isolar daqueles que fogem de seus países para sobreviver. Muitas vezes, os próprios países que agora estão se fechando são em grande parte responsáveis pelas ondas de imigração, seja por meio de acordos comerciais predatórios, guerras ou desastres ambientais intensificados pelas mudanças climáticas.
De fato, se mapearmos as áreas que mais sofrem com conflitos armados atualmente – dos sangrentos campos de batalha no Afeganistão e Paquistão à Líbia, Iêmen, Somália e Iraque –, um fato nos salta aos olhos: esses são alguns dos lugares mais quentes e secos do planeta; são regiões à beira da fome e da seca, dois catalisadores de conflitos, que, por sua vez, ajudam a produzir migrantes.
E a mesma tendência a diminuir a humanidade do “outro” – tornando-nos insensíveis às vítimas civis de bombardeios em países como Iêmen e Somália – agora está sendo aplicada aos refugiados, cuja busca por segurança é vista como a invasão de um exército ameaçador. É nesse contexto que, de 2014 para cá, 13 mil pessoas que tentavam chegar à Europa morreram afogadas no Mediterrâneo, muitas delas crianças e bebês; é nesse contexto que a Austrália está tentando normalizar o encarceramento de refugiados em centros de detenção nas ilhas de Nauru e Manus, em condições classificadas por diversas organizações humanitárias como análogas à tortura. É nesse mesmo contexto que o gigantesco acampamento de refugiados de Calais, recém-desmantelado, foi apelidado de “selva” – da mesma forma que as vítimas abandonadas do Katrina foram chamadas pela mídia de direita de “animais”.
O dramático crescimento nas últimas décadas do nacionalismo de direita, do racismo, da islamofobia e do supremacismo branco em geral está intimamente ligado às novas tendências geopolíticas e ecológicas. A única maneira de justificar essas formas bárbaras de exclusão é apostando em teorias de hierarquização racial, que determinam quem merece ou não ser excluído das “zonas verdes”. É isso que está em jogo quando Trump chama os mexicanos de estupradores e “_hombres_maus”; quando os refugiados sírios são tachados de terroristas em potencial; quando a política conservadora canadense Kellie Leitch defende um teste de “valores canadenses” para imigrantes; ou quando sucessivos primeiros-ministros australianos classificam os sinistros campos de detenção como uma alternativa “humanitária” à morte no mar.
Esse é o resultado típico da instabilidade global em nações que nunca repararam os crimes do seu passado; em países que insistem em ver a escravidão e o roubo das terras indígenas como meros solavancos em uma história gloriosa. Afinal de contas, a separação entre zonas verdes e vermelhas já existia na sociedade escravocrata: os bailes na casa dos senhores aconteciam a poucos metros da tortura nos campos. E tudo isso nas terras violentamente arrancadas dos índios – terra sobre a qual a riqueza norte-americana foi construída. Agora, as mesmas teorias de hierarquia racial que justificaram tanta violência em nome do progresso estão ressurgindo à medida que a riqueza e o conforto que elas proporcionaram começa a se desgastar.
Trump é apenas uma manifestação precoce desse desgaste. Mas ele não é o único. E não será o último.
Moradores da favela da Mangueira assistem de longe aos fogos de artifício da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. (5 de agosto de 2016)
Foto: Mario Tama/Getty Images

Uma crise de imaginação

Cidades fortificadas exclusivas para os ricos, isolados do resto do mundo em luta pela sobrevivência. É sintomático que esse seja um tema recorrente de diversos filmes de ficção científica atualmente, como Jogos Vorazes, em que o decadente Capitólio enfrenta as colônias desesperadas; e Elysium, em que uma elite vive em uma estação espacial acima de uma enorme e violenta favela. Esta é uma visão entranhada na mitologia das grandes religiões ocidentais, com suas épicas narrativas sobre dilúvios purificadores e um pequeno grupo de eleitos; histórias de infiéis ardendo em chamas enquanto os justos se refugiam em uma cidade fortificada nos céus. A dicotomia entre vencedores e condenados está tão presente no nosso imaginário coletivo que é um verdadeiro desafio pensar em outros finais para a narrativa da humanidade; um final em que a raça humana se una em um momento de crise em vez de se separar; um final em as fronteiras sejam derrubadas em vez de multiplicadas.
Afinal de contas, o objetivo de toda essa tradição narrativa nunca foi simplesmente descrever o que inevitavelmente acontecerá com a humanidade. Não, essas histórias são um aviso, uma tentativa de abrir os nossos olhos para que possamos evitar o pior.
“Nós temos a capacidade de dar ao mundo um novo começo”, disse Thomas Paine muitos anos atrás, resumindo em poucas palavras o desejo de fugir de um passado que está no cerne tanto do colonialismo quanto do “sonho americano”. Porém, a verdade é que nós _não temos_esse poder divino de reinvenção; nunca o tivemos. Temos que conviver com nossos erros e problemas, bem como respeitar os limites do nosso planeta.
Mas o que nós temos é a capacidade de mudar, de reparar velhas injustiças e a nossa relação com o próximo e com o planeta em que vivemos. Essa é a base da resistência à Doutrina do Choque.
Adaptado do novo livro da Naomi Klein, _No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. _O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil. Foto do topo: Bombeiros do Kansas e de Oklahoma lutam contra um incêndio perto de Protection, no Kansas. (6 de março de 2017)
Tradução: Bernardo Tonasse
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2015.11.02 01:51 souzapex Brasília ganha loja física de Bitcoin SP e Florianópolis são as próximas

A BitcoinToYou, única empresa com lojas físicas do Brasil a realizar transações entre o real e a moeda virtual, inaugurou seu segundo estabelecimento no país ontem (21), em Brasília. A primeira a comercializar bitcoins foi aberta em Curitiba, em junho do ano passado, e as próximas deverão ser em São Paulo e Florianópolis, ainda este ano, segundo a empresa.
O que é
A unidade monetária Bitcoin (BTC) é uma moeda online que não possui uma gerência central, tendo seus valores descentralizados a partir de transações por rede de compartilhamentos P2P (ponto-a-ponto). Por também não depender de intermediários financeiros, como bancos e instituições reguladoras como o Banco Central, as transações não contam com impostos e possuem taxas menores de transação.
De acordo com o dono da BitcoinsToYou, André Horta, a abertura da loja em Brasília promete ser lucrativa uma vez que a cidade divide com São Paulo o mérito de ser um dos locais com maior volume real de movimentação da moeda no Brasil. Se cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte também possuem grande número de adeptos da moeda, ainda ficam atrás no quesito de valores movimentados.
Para Adriano Zanella, o franqueado da nova loja, o objetivo é oferecer um espaço seguro com troca de ideias e informações entre funcionários e clientes, aumentando assim o nível de confiança dos brasileiros na moeda virtual.
Se hoje os principais compradores do bitcoin são pessoas que realizam trocas de câmbio para viagens internacionais e usuários de lojas online, a proposta do BitcoinToYou é estimular o comércio convencional a adotar a carteira de bitcoins, assim como já acontece em outras cidades e países. Dell, Amazon, Microsoft e BestBuy são algumas das marcas que aceitam pagamentos com a moeda.
A bolsa de Nova York, coincidentemente, acabou de adotar uma taxa de conversão entre bitcoins e dólares, com a justificativa de interesse dos seus negociantes pela cotação da moeda eletrônica.
A loja de Brasília, assim como a de Curitiba, vende cartões pré-pagos e aceita compras através de dinheiro e transferência bancária. Os donos também estudam a possibilidade da venda de bitcoins através de cartão de crédito, adotando até opção de parcelamento.
Além disso, será possível que comerciantes locais recebam em bitcoins e troquem a transação rapidamente por reais, aproveitando as altas e baixas da moeda sem se submeter a prazos e taxas das operadoras de crédito.
Como investir em Bitcoins e por quê? Veja no Fórum do TechTudo.
Sobre o risco, Adriano não tem dúvida de que se encontra em um negócio seguro e promissor. “No Brasil não é muito comum porque a gente não vê acontecendo, mas várias empresas de sucesso já adotam a transação em bitcoins, que vai ganhando espaço no futuro”, diz ele.
Segurança garantida
André Horta atenta para os cuidados com a segurança do sistema da loja, que possui servidores na Califórnia e na Flórida, além de investimentos em criptografia, certificado SSL e outros métodos que os próprios bancos usam, como autenticação de dois fatores e replicação de dados.
Além disso, há uma reserva de 90% dos valores em poder da empresa em paper wallet, uma garantia física de que a moeda digital não se perderá com uma invasão de software, por exemplo. “Hoje é uma técnica conhecida no mundo todo, todas as exchanges de ponta já usam”, explica André.
Apesar da alta volatilidade do bitcoin, que chega a variar cerca de R$ 30 a R$ 40 por dia, o saque dos valores adquiridos é imediato, de acordo com Adriano, o que aumenta a confiabilidade no sistema. Hoje com uma cotação de 1 bitcoin para cada R$ 758,74, o bitcoin já chegou a variar de US$ 200 a mais de US$ 1.000 em um período de alta na cotação. Os primeiros compradores do sistema, que foi criado em 2009, hoje são milionários.
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2015.09.19 00:55 brasilbitcoin Assim como petróleo e ouro, Bitcoin é oficialmente uma ‘commodity’

NOVA YORK - A moeda virtual é oficialmente uma commodity, assim como petróleo e soja. Assim afirmou a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão que regula o mercado de commodities dos Estados Unidos.
“A CFTC, pela primeira vez, considera que o Bitcoin e outras moedas virtuais estão devidamente definidas como commodities”, de acordo com comunicado.
Enquanto membros do mercado há muito discutem se o Bitcoin pode ser definido como uma commodity e a CFTC tem ponderado se a moeda está sob sua jurisdição, as implicações dessa decisão são potencialmente numerosas. Com isso, a CFTC assegura sua autoridade de supervisionar a negociação da moeda no mercado futuro e de opções, que agora serão sujeitos às regulações da agência. Caso haja alguma irregularidade, como manipulação, a CFTC poderá apresentar acusações contra os agentes desse mercado. Além disso, se uma empresa quiser operar uma plataforma de negociação de derivativos ou futuros de Bitcoin, vai precisar se registrar para tal. A Coinflip — que foi alvo da ação da CFTC que acabou levando à decisão — não é a única empresa que fornece uma plataforma para negociação de Bitcoin em derivativos ou no mercado futuro.
“Embora haja muita animação em torno do Bitcoin e de outras moedas virtuais, a inovação não é desculpa para aqueles que agem neste espaço não seguirem as mesmas regras aplicáveis a todos os participantes nos mercados de derivativos de commodities”, disse Aitan Goelman, diretor de fiscalização da CFTC, em comunicado.
O Bitcoin, a mais conhecida entre cerca de 200 moedas geradas por computador, começou a circular em 2009 e sua aceitação tem aumentado conforme mais comerciantes permitem que consumidores paguem por produtos e serviços com a moeda. As moedas virtuais, que diferentemente de dinheiro convencional não são apoiadas por um governo ou banco central, passaram a ser examinadas detalhadamente depois que a Bolsa Mt.Gox, baseada em Tóquio, teve que pedir recuperação judicial em fevereiro de 2014, após perder estimados US$ 650 milhões em Bitcoins de clientes. O valor do Bitcoin, criado em 2009, flutua e não é baseado em qualquer governo ou banco central. O valor máximo que atingiu foi de US$ 1.200 por Bitcoin no fim de 2013. Sua cotação obedece à lei da oferta e da procura.
Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/economia/assim-como-petroleo-ouro-bitcoin-oficialmente-uma-commodity-17530357.html#ixzz3m8Log55b
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